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BCs aliviam exigências para os bancos

Após uma longa disputa, os reguladores do sistema financeiro mundial decidiram dar um alívio para os bancos. Reunidos na Suíça, os representantes dos Bancos Centrais adiaram por quatro anos e afrouxaram as regras para os bancos elevarem suas reservas. As regras, conhecidas como Basiléia III, foram criadas para evitar novas crises financeiras como a de 2008

Instituição que reúne os bancos centrais do mundo ameniza medidas do Basileia 3

Os bancos saíram vencedores de uma briga que cresceu nos últimos meses.Após inúmeras reclamações e em meio à crise financeira que se arrasta, os bancos centrais cederam ao afrouxar parte de um pacote de regras mais rígidas conhecido como Basileia 3. Pela decisão tomada ontem, será reduzida a obrigação das instituições financeiras de ter caixa para pagar credores e clientes nas operações de curto prazo. Reunidos ontem, representantes dos BCs de todo o mundo – que formam o Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) – anunciaram o que as instituições financeiras tanto pediam: adiamento na implantação de Basileia 3. Na reunião de ontem, o grupo afrouxou regras já anunciadas e que deve-iam começar a valer em 1.º de janeiro de 2015. O afrouxamento acontecerá em três frentes. Na primeira, bancos terão quatro  anos adicionais para cumprir o chamado “requerimento mínimo de liquidez de 30 dias”, o LCR em inglês. Esse novo mecanismo obriga o sistema financeiro a ter em caixa ativos de alta liquidez para resistir a um cenário de estresse agudo de até um mês. Ou seja, dinheiro fácil para pagar todos os compromissos – de clientes e credores – por 30 dias. Pela regra antiga, bancos teriam de ter o equivalente a 100% desses compromissos em 2015. Ontem, porém, ficou decidido que a regra será adotada gradualmente: o caixa precisará cobrir apenas 60% do montante em 2015 e chegará aos originais 100%só em2019.

Liquidez.

Além disso, cresceu a lista de ativos considerados de “alta liquidez” para pagar clientes e credores. A partir de agora, o investimento dos bancos em algumas ações e títulos de dívida corporativa poderá ser usado. Em outras palavras, será mais fácil alcançar o montante exigido pelo BC. Houve, ainda, uma mudança na estimativa de quanto os bancos precisarão desembolsar nos próximos 30 dias. Pela nova regra, foi reduzida a previsão de quanto dinheiro sairá, por exemplo, das contas correntes de pessoas físicas e empresas. Ou seja, a projeção dos compromissos à frente também foi aliviada. Portanto, o BIS afrouxou Basileia 3 emtrês frentes: 1) menor cobertura das dívidas; 2) ampliação da lista de ativos que podem ser usados para pagar esses compromissos; e 3) expectativa de que os débitos futuros serão menores.

Vitória.

O passo atrás é uma vitória dos bancos de todo o mundo, especialmente os menores, que não escondiam a insatisfação como quadro. Em outubro, por exemplo, cerca de 15 mil banqueiros de instituições de pequeno porte assinaram uma petição contra o cronograma das novas regras de Basileia 3. Cálculo recente do BIS mostra que, se o LCR existisse em 2011, menos da metade dos 200 maiores bancos do mundo estaria de acordo com a regra. Instituições desenquadradas teriam de reservar até US$ 2,4 trilhões em ativos de alta liquidez. Para atingir essa cifra, bancos ameaçavam reduzir o montante destinado ao crédito das famílias e empresas– fato que preocupava governos das economias que tentam sair da crise. “É uma decisão mais realista após a avaliação dos argumentos (dos vários BCs), os dados e, claro, o tempo de transição para a nova regra”, disse o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, ao anunciar a decisão.Para ele, não é possível considerar as medidas como “passo atrás”. “As medidas vão garantir que o novo padrão de liquidez não prejudique a capacidade do sistema bancário para financiar uma recuperação da economia global”, argumentou. O Brasil acompanha a nova regra com certa tranqüilidade porque antes mesmo da decisão do BIS, o Banco Central já monitorava indicador semelhante desde 2003. Avaliações recentes mostram  que o sistema financeiro nacional cumpre os requisitos exigidos com folga.


Fonte: O Estado de S. Paulo

 

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