Brasil só perde para Líbano, Gâmbia e Iêmen em pagamentos de juros
Os juros exorbitantes estão sendo considerados uma necessidade inevitável pelo governo e pelo Banco Central (BC), mas estamos vendo que essas taxas praticadas são uma escolha política que tem custado ao país um preço muito alto em termos de crescimento econômico, emprego e progresso social.
O pagamento de juros da dívida pública em 2016 corresponde a 7,6% do Produto Interno Bruto, o quarto maior encargo dentre 183 países, mostra o estudo intitulado “A Enorme Taxa de Juros do Brasil: Será que os brasileiros conseguem suportá-la?”, publicado neste mês. Os encargos da dívida pública só são inferiores àqueles do Líbano (9,15% do PIB), de Gâmbia (8,81%) e do Iêmen (8,36%), “assolados por conflitos civis e outros fatores de risco que aumentam sua probabilidade de inadimplência.
No ranking dos juros altos, o destaque negativo é semelhante ao do campeonato dos encargos da dívida. Entre 2003 e 2015, segundo pesquisadores, a política econômica manteve a taxa real brasileira em 6,35%, a quinta maior do mundo, dentre 68 países com dados do período divulgados.
A singular política de taxas de juros é a parte principal dos erros da política econômica e acena com mais um longo período de baixo crescimento. O País encaminha-se para reproduzir, em versão piorada, a década perdida dos anos 1980, alertam pesquisadores. O alto encargo com juros da dívida pública, como porcentagem do PIB, resulta da combinação de uma dívida elevada em relação a esse indicador e taxas exorbitantes a serem pagas sobre os compromissos remanescentes.
O estrago mais imediato é o peso do pagamento de juros no orçamento, em uma conjuntura de debate nacional altamente disfuncional acerca do déficit orçamentário do governo federal brasileiro. O aumento dos encargos com juros da dívida desde 2012 contabiliza, aproximadamente, metade do crescimento do déficit orçamentário do governo federal, o qual subiu de 2,5% do PIB para uma projeção de 10,4% em 2016.

