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Classe C está fora do crédito bancário

Apesar do poder aquisitivo da classe C ter aumentado nos últimos oito anos e isso ter ampliado a clientela dos bancos – segundo a Febraban foram abertas 64 milhões de novas contas-correntes nesse período –, ela continua excluída do crédito bancário.

A constatação partiu de pesquisa do instituto Data Popular, feita com 5 mil consumidores de todo o país. O estudo apontou que 58% da classe C tomam crédito pessoal prioritariamente em lojas populares, ainda que os juros sejam em média 5% maiores do que nas instituições financeiras.

“Isso mostra que os bancos não cumprem seu papel social, discriminam o atendimento priorizando os clientes de alta renda e jogando os demais para fora das agências bancárias”, ressalta a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira.

Segundo Renato Meirelles, do Data Popular, esse dado mostra que o sistema financeiro brasileiro “não está preparado para atender essas pessoas”, e que desconhece os costumes da nova clientela. Esse desconhecimento, avalia ele, explicaria a busca dos grandes bancos por parcerias com as redes de varejo. “Os bancos estão, na verdade, comprando o relacionamento das lojas com esse público.”

Ainda segundo o instituto, 40% dos clientes da classe C dizem ter dificuldades para entender as finanças bancárias. Apesar disso, ajudam a engordar os lucros dos bancos que, só neste semestre, ultrapassaram os R$ 25 bilhões (soma dos resultados apresentados pelo BB, Caixa, Itaú, Santander e Bradesco).

Além disso, as fusões no setor diminuíram a concorrência e concentraram a oferta dos serviços. Juntos, os cinco grandes bancos que operam no varejo são maiores do que eram as 50 principais instituições em funcionamento no final de 2002. Têm 70% a mais em dinheiro e bens para administrar e 17 mil agências, o mesmo que as 50 instituições tinham há oito anos.

Exclusão – Em janeiro, durante divulgação de dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que apontaram 39,5% da população economicamente ativa fora do sistema financeiro, a coordenadora executiva do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) Lisa Gunn já havia chamado a atenção para o problema. Segundo ela, a exclusão bancária faz com que o consumidor de baixa renda só tenha acesso ao crédito por meio de cartões de grandes lojas varejistas e acabem pagando juros maiores.

A pesquisa do Data Popular mostra que a discriminação é maior ainda porque, mesmo quando têm conta corrente, os clientes de baixo poder aquisitivo continuam sem usufruir do crédito bancário.

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