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Copom faz o jogo dos especuladores em detrimento da nação

Numa decisão que frustra as expectativas da maioria da nação e joga água no moinho dos especuladores, divulgada nesta quarta-feira (2), o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) manteve a taxa básica de juros em 8,75% ao ano, interrompendo uma sequencia de cinco modestos cortes consecutivos na Selic iniciada em janeiro.

Em nota distribuída após a reunião, os integrantes do comitê asseguram que o atual nível da taxa de juros é capaz de garantir a recuperação da economia sem gerar pressões inflacionárias. Não é o que pensa a maioria da nação, as centrais sindicais, as empresas dedicadas à produção e os que têm senso crítico. A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) rechaça o falso argumento do BC e repudia a política monetária conservadora, que mantém o país entre os primeiros colocados no ranking mundial dos juros reais altos.

Os "especialistas" do Banco Central sempre procuram dourar a pílula, apresentando suas decisões como eminentemente técnicas e apolíticas. Arvoram uma sabedoria que no fundo não possuem. No final do ano passado, quando a indústria já estava mergulhada na recessão, o Copom ainda manifestava preocupação com o "aquecimento" da economia para justificar os juros altos, fonte dos lucros fáceis e exagerados abocanhados pela oligarquia financeira. Não foi a única vez que o órgão se enganou e foi desmentido pelos fatos.

A manutenção da taxa Selic a 8,75% premia a usura, alimenta a ganância dos especuladores e contraria frontalmente os interesses da classe trabalhadora. Seus efeitos, sobejamente conhecidos, são perversos para o país, afetando principalmente os mais pobres: redução dos investimentos e da capacidade de crescimento da economia, estagnação, mais desemprego e arrocho dos salários. É preciso também ressaltar que o Brasil ainda não se recuperou dos efeitos da crise mundial do capitalismo.

A maioria da nação tem se pronunciado contra a alta dos juros. A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) não tem dúvidas de que representa os interesses nacionais e populares quando vem a público com o objetivo de manifestar seu firme repúdio a mais este desatino do Banco Central.  

 

São Paulo, 2 de setembro de 2009

Wagner Gomes, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

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