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Crise afeta mais os brasileiros de renda maior, diz FGV

Os efeitos da crise financeira mundial sobre a renda do brasileiro se agravaram em 2009, de acordo com pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e os mais afetados foram os de rendimento maior e mais qualificados.

De acordo com a pesquisa Crônica da Crise, a turbulência global empurrou vários brasileiros da classe média e alta para as camadas mais baixas da população.

Entre setembro e dezembro do ano passado, a classe AB, com renda domiciliar superior a 4.807 reais, encolheu 0,5 por cento. A classe C, com rendimento entre 1.115 e 4.807 reais, aumentou em 1,2 por cento.

Entre janeiro e fevereiro deste ano, as quedas dessas faixas de renda foi de 3,2 por cento e 2,1 por cento, respectivamente.

Ao mesmo tempo, houve um aumento na classe D, com renda de 804 a 1.115 reais, de 3,7 por cento e na classe E, com rendimento mensal domiciliar de até 804 reais, de 6,4 por cento.

"2009 é o momento da ressaca da crise. Todos foram impactados e foi um movimento generalizado, mas os que mais perderam foram so brasileiros das classes média e alta de maior nível educacional", disse o coordenador da pesquisa, o economista Marcelo Néri.

"O aumento do contigente da classses D e E nesse caso é ruim, porque mostra uma queda social das pessoas."

De acordo com o estudo, antes da crise a chance de um brasileiro cair da classe média alta para as camadas sociais mais baixas era de 2 por cento, e com o agravamento da crise essa chance aumentou em 6 vezes e subiu para 12 por cento.

"A crise mostra uma regressão social no país com impactos até no movimento de redução da desiguladade. Com o aumento das classes baixas, amplia a distância entre ricos e pobres", disse Néri.

FGV

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