CTB e demais centrais expõem realidade do sindicalismo no país à diretora da OIT
A CTB e outras quatro centrais sindicais (CUT, Força, Nova Central e UGT)
participaram nesta terça-feira (10), em Brasília, de uma reunião com Cleópatra
Doumbia-Henry, diretora do Departamento de Normas da Organização Internacional
do Trabalho (OIT), na qual puderam expor um pouco da realidade da classe
trabalhadora brasileira e contribuir para as atividades da entidade no
país.
Os principais temas levados pelas centrais à diretora da OIT, que
participará como convidada do seminário internacional do Tribunal Superior do
Trabalho (TST) nesta quinta-feira (12), se referiam às denúncias relativas a
três temas: a questão assistencial, as práticas antissindicais e o interdito
proibitório, além de temas referentes à violência contra sindicalistas.
O
secretário de Política Sindical e Relações Institucionais da CTB, Joílson
Cardoso, presente à reunião, disse que a diretora da OIT pediu aos
representantes das cinco centrais relatos sobre a realidade do movimento
sindical do Brasil. “Eu disse que a CTB vê o momento atual como algo positivo,
apesar de algumas contradições que persistem”, disse o dirigente cetebista,
destacando que a Central deseja fazer uma discussão série sobre esse assunto,
num fórum que inclua não apenas a organização, mas também temas como a Convenção
158, “que não somos contra, mas deve ser debatida no bojo da realidade
brasileira”.
No que diz respeito à Convenção 87, Joílson também destacou sua importância para o sindicalismo, mas ressaltou que esse tema não deve ser isolado de outras discussões que compõem a realidade brasileira.
Papel social
Os sindicalistas reforçaram, perante
a diretora da OIT, a importância da Convenção 158, que trata do combate à alta
rotatividade por meio do veto à demissão arbitrária. As centrais também traçaram
um recente histórico da política brasileira nas últimas décadas, atualizando-a
do papel desempenhado pelo movimento sindical na defesa e construção da
democracia, desde os tempos da luta contra a ditadura militar.
Outro
ponto de destaque na reunião se deu quanto ao consenso existente entre as
centrais sobre a realidade trabalhista no Brasil. Para a CTB, é correta a
análise de que existiu ao longo dos últimos anos uma relação positiva com o
governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora perdurem certas
dificuldades no relacionamento com o Congresso e o Judiciário.
No
primeiro caso, ainda permanece uma correlação de forças negativa entre grande
parte dos legisladores brasileiros, que se posicionam contra os trabalhadores e
a favor dos empresários. No que diz respeito ao Poder Judiciário, os
representantes de centrais lembraram que é comum a Justiça do Trabalho agir na
direção contrária à dos líderes sindicais — a aplicação do interdito proibitório
é um exemplo disso — e fomentar a criminalização dos sindicatos, além de
restringir a estabilidade dos dirigentes.
Além dos problemas existetes com o Legislativo e o Judiciário, os
representantes das cinco centrais também relataram o papel negativo exercido
pela mídia brasileira, que costumeiramente retrata as questões relativas ao
sindicalismo como caso de polícia, criminalizando suas atividades e seus
dirigentes.
Proposta da OIT
Diante desse cenário
e após as exposições feitas pelos sindicalistas, a diretora da OIT lhes fez uma
proposta: a realização de um estudo patrocinado pela OIT à luz da Convenção 87
(sobre liberdade sindical e negociação coletiva), na forma de um grande
seminário sobre o sindicalismo brasileiro, com desdobramentos em várias regiões
do país.
Apesar da boa iniciativa, Joílson Cardoso fez uma ressalva à
proposta da diretora da OIT: "Não somos contra, entretanto existem questões mais
prementes à vida sindical brasileira neste momento. A simples aplicação da
Convenção 87 não resolveria o problema do movimento sindical. Queremos uma
discussão mais ampla, debatendo também a 158 e outros aspectos do mundo do
trabalho. A Convenção 87 deve ser tratada no Brasil considerando a realidade da
sociedade brasileira e sua organização sindical, e não apenas transladar
realidades de outros países”, explicou.
O dirigente da CTB destacou
também que, apesar da boa relação existente hoje entre as centrais, há
divergência entre a visão da CTB e da CUT sobre a questão da unicidade. “É um
item ao qual somos favoráveis, assim como o que diz respeito ao custeio dos
sindicatos. Temos essa divergência, mas buscamos o entendimento, sem abrir mão
desse princípio”, relatou, destacando também que a CTB adota essa postura por
ser contra a pulverização dos sindicatos, bem como o sindicato de empresas e o
sindicato orgânico.
Joílson disse também à diretora da OIT que a
organização sindical brasileira não deixa nada a desejar em relação aos cenários
de outros países. “A maior prova disso é a unidade que existe entre as centrais,
cujo resultado foi visto durante a realização da Conclat e de sua plataforma
unitária em prol dos interesses do país. Temos uma organização sindical
consolidada, com 20% de sindicalização e em crescimento, mostrando a pujança do
movimento sindical do país”, finalizou.
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