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CTB organiza o 1º Encontro Nacional de Combate ao Racismo

A Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da CTB promove entre os dias 22 e 24 de novembro o seu 1º Encontro Nacional de Combate ao Racismo, denominado "Percepções e os Novos Desafios para o Enfrentamento e Superação da Discriminação Racial e do Racismo no Mercado de Trabalho".  

O Encontro terá a participação de lideranças e dirigentes sindicais, representantes de associações e diversos sindicatos, além de contar com a participação de representantes de movimentos sociais e ativistas do movimento negro.

Para a secretária de Promoção da Igualdade Racial da CTB, Valmira Luzia da Silva, o Encontro será histórico e de fundamental importância para a central e seus sindicatos. Ela destaca a importância do debate em meio à semana de celebração do Dia da Consciência Negra (20 de novembro) e entende que, a partir das discussões travadas durante a atividade será possível formular uma rede nacional de combate ao racismo.

“Quero convocar os companheiros e as companheiros de todos os estados a debater e a presenciar nosso Encontro. A opinião de todos será muito importante, assim como será importante que todos os sindicatos mandem seus representantes. Precisamos mostrar que nós da CTB somos capazes de discutir e nos organizar em todo o país”, afirmou.

Em entrevista para o Portal CTB, Valmira fala das expectativas para o Encontro, das bandeiras de luta do movimento negro, das perspectivas do governo Dilma e de sua trajetória no sindicalismo. Leia abaixo:

Portal CTB: Qual sua expectativa para o Encontro?
Valmira Luzia: Esse Encontro vai ser importante para organizar a CTB nos estados, a partir das bandeiras que estamos levantando. Permitirá que cada ação seja mais bem discutida em cada CTB estadual.  Será algo fundamental para fomentar a política de combate ao racismo da nossa central e para preparar os sindicatos do país inteiro para esse momento novo de combate ao racismo, a partir da utilização do Estatuto da Igualdade Racial e da eleição de Dilma Rousseff para a Presidência, algo que certamente fortalecerá a Seppir (Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial) e todo o trabalho feito nos últimos oito anos pelo governo Lula.

Portal CTB: O Encontro está dividido em dois grandes pilares. Um deles trata do Estatuto da Igualdade Racial, enquanto o outro engloba os temas do Trabalho, da Globalização e do Racismo. De que forma isso foi elaborado?
Valmira Luzia: Nós acompanhamos toda a discussão e a definição do Estatuto da Igualdade Racial. Estivemos em Brasília representando a CTB e também percebemos – a partir da necessidade que temos atualmente, enquanto uma central nova, de articular as bandeiras de luta e fazer um trabalho de formação do movimento sindical – que poderíamos “lincar” o fenômeno da globalização às relações de trabalho, por entendermos que são elementos que se relacionam.

É impossível falar de discriminação racial sem mencionar os motivos que levaram o nosso país a escravizar a população negra por centenas de anos. É preciso debater esses motivos e entender de que forma eles afetam a geração atual. Aí, quando debatermos a questão da globalização, falaremos do aspecto econômico e político, mas também do cultural e do social, tentando chamar a atenção para a importância dessa bandeira de luta, como um instrumento de democratização do país, de geração de renda da população negra e das camadas oprimidas da sociedade.

Portal CTB: De que forma o movimento sindical pode se aproximar um pouco mais da luta contra o racismo e outras bandeiras do movimento negro?
Valmira Luzia: Em primeiro lugar, temos que considerar o mundo do trabalho é o setor mais violento da sociedade – é o local em que ocorrem as maiores violências contra a população de baixa renda, é lá que se dá com mais intensidade a opressão e a discriminação. Assim, entendemos – a partir da nossa experiência de luta de classes – que podemos contribuir para os movimentos sociais, dando mais instrumentos e embasamento para esse combate ao racismo, a partir exatamente do mundo do trabalho, discutindo a desigualdade salarial, a desigualdade de oportunidades que ainda existe e tudo o que leva às demais desigualdades.

É a partir dessa forma de opressão que as outras formas de violência acabam acontecendo por toda a sociedade. É a partir disso que a população negra é oprimida em toda a sociedade.

Portal CTB? Que tipo de perspectivas você vislumbra para governo Dilma? Que avanços reais o movimento negro e a classe trabalhadora podem esperar?
Valmira Luzia: Acho que a vitória de Dilma encerra um período muito ruim da história do nosso país, no qual o patriarcalismo acabava sendo o centro da organização política e social. Ela rompe com o estigma de que a mulher não pode governar e não pode ter o mesmo espaço que o homem na sociedade. Isso, para nós, negros e mulheres, é importante, pois nos dá a oportunidade de discutir outros estigmas e outras formas de discriminação na sociedade.

Entendemos também que a nova presidente dará continuidade ao governo Lula na área social, algo que para nós é de suma importância. Acreditamos que a partir de um governo com esse perfil nós poderemos concretizar nossa bandeira de luta de combate ao racismo e romper com a lógica da discriminação de raça e também de gênero.

Portal CTB: Você é jovem, mulher e negra. Em um país como o Brasil, que tipo de dificuldades trabalhadoras com o seu perfil enfrentam no dia a dia?
Valmira Luzia: Nascer negra, mulher e pertencente à classe trabalhadora, por si só, já é um desafio – é um teste de sobrevivência até. Mas eu tive o privilégio de pertencer a uma categoria [operados de telemarketing] que é formada, em sua maioria, por jovens negros, de ambos os sexos. Então, a partir da organização sindical que já existia e da experiência que pude acumular no movimento estudantil, foi possível obter certa experiência nessa questão da luta pelo direito à igualdade, a partir da necessidade do jovem de ter direito ao trabalho, mas sem perder o direito à educação, ao lazer e à cultura.

O Sintratel (Sindicato dos Trabalhadores em Telemarketing, entidade na qual atuo), ao longo dos anos, acabou concretizando bandeiras importantes da juventude, pois nossa categoria é formada majoritariamente por trabalhadores com esse perfil, além de muitas mulheres e pessoas de diferentes opções sexuais.   No dia a dia, a partir da batalha por creches, por uma jornada de trabalho reduzida e outras bandeiras, conseguimos colocar em prática essa luta contra a discriminação, tanto de raça, de gênero e outras bandeiras ligadas a setores oprimidas da sociedade.

Fernando Damasceno – Portal CTB

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