Cúpula dos Povos exigirá que ricos paguem a conta da crise
Dezenas de lideranças dos movimentos sociais participaram no último final de semana (dias 8 e 9 de novembro) do seminário preparatório da Cúpula dos Povos do Sul, realizado no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador.
O evento ocorrerá na capital baiana dias 12 a 15 de dezembro, precedendo a cúpula do Mercosul e da Conferência da América Latina, Caribe e México (CALC), convocada para 15 a 17 do mesmo mês em Sauípe, litoral norte da Bahia, que deverá reunir 33 chefes de Estado, segundo estimam os organizadores.
O seminário debateu os efeitos da crise econômica internacional, que tem por epicentro os EUA, e os desafios decorrentes para o processo de integração dos povos, concluindo que os movimentos sociais devem mobilizar unitariamente suas bases com o objetivo de lutar para que os prejuízos decorrentes das turbulências e desequilíbrios do capitalismo americano não sejam transferidos aos povos (1).
Ainda se definiu que a Cúpula dos Povos vai exigir que os ricos paguem a conta da crise e que os governos adotem políticas econômicas opostas ao neoliberalismo, reforçando o papel do Estado, ampliando os investimentos sociais e protegendo a classe trabalhadora.
Oportunidade
O encontro dos movimentos sociais em Salvador deve mobilizar milhares de militantes e vai focalizar seis temas, que também estão na pauta da cúpula do Mercosul: crise energética; crise financeira; crise ambiental; crise alimentar; migração; militarização e soberania nacional.
Durante o seminário predominou a opinião de que a crise, apesar dos notáveis transtornos que provoca para a classe trabalhadora e os povos, também deve ser vista como numa oportunidade para os movimentos sociais, uma vez que reforça a necessidade de lutar por uma alternativa ao neoliberalismo.
Valorização do trabalho
Em resposta às crises do capitalismo, o seminário apontou a defesa de novos modelos de desenvolvimento nacional, fundados na valorização do trabalho, no respeito ao meio ambiente, no combate a todo tipo de discriminação e na integração solidária dos povos latino-americanos. Os movimentos sociais devem se mobilizar para garantir um maior protagonismo no processo de integração e nas propostas e iniciativas a ele associadas.
Apesar da diversidade política e de divergências pontuais em relação aos temas abordados, o seminário foi caracterizado por uma unidade dos movimentos sociais. Em relação às medidas de política econômica que deveriam ser adotadas para enfrentar a crise foram sugeridas, entre outras coisas, o controle do câmbio e da conta de capitais, estabilidade no emprego, taxação das remessas de lucros e auditoria das dívidas externas que ainda hoje atormentam a vida dos países mais pobres.
Nota:
(1) O debate sobre o tema "Desafios da integração dos povos na conjuntura global e latino-americano atual", realizado na manhã do sábado (8 de novembro), foi precedido de palestras proferidas por representantes do Jubileu Sul Américas (Beverly Keene), Coordenadora de Centrais Sindicais do Cone Sul (Messias Melo), Reprip (Adhemar Mineiro) e Cebrapaz (Umberto Martins).
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