Demissões em massa no mundo põe recuperação em dúvida
Na terça-feira, a Johnson & Johnson informou que pretende eliminar até 7% de sua força de trabalho global de cerca de 120 mil pessoas, o que representará um corte de aproximadamente 8,4 mil empregos. Segundo a companhia, a medida faz parte de um plano de redução de custos que deverá gerar economias de US$ 1,7 bilhão até 2011, quando estará totalmente implementado.
Na semana passada, a companhia aérea US Airways revelou um plano para reorganizar suas rotas e se concentrar na força de redes que a empresa afirma que irão ajudá-la a voltar à lucratividade. Dentro desse plano, a US Airways vai eliminar mil empregos, ou cerca de 3,1% de sua força de trabalho total.
A Microsoft anunciou nesta quarta-feira 800 demissões, que integram um plano mais amplo de cortes em todo o mundo revelado em janeiro deste ano - o primeiro a prever demissões em massa nos 34 anos da companhia. Segundo um porta-voz da Microsoft, o plano agora vai totalizar 5,8 mil cortes, acima dos 5 mil anunciados em janeiro.
Os dois anúncios foram feitos nos EUA um dia antes da publicação do relatório mensal do Departamento do Trabalho daquele país sobre o mercado de trabalho norte-americano, nesta sexta-feira. A previsão é que os números mostrem que foram eliminados 175 mil empregos em outubro.
Depois de decidir não mais vender suas unidades europeias Opel e Vauxhall para a Magna International, a General Motors reiterou ontem que cerca de 10 mil empregos poderão ser perdidos na Europa. John Smith, o executivo da GM que está lidando com a reorganização da Opel, disse em teleconferência que a revisão do plano para a empresa alemã deverá manter os cortes, que já estavam previstos anteriormente.
Os supostos 650 mil empregos criados ou salvos nos EUA pelo programa de estímulo do governo acirraram o debate entre a Casa Branca e os republicanos sobre o sucesso do pacote de US$ 787 bilhões. Para alguns republicanos, não se pode falar em empregos "salvos" - um conceito que não existiria nos livros-texto de economia - e os números carecem de significado. Entre os economistas em geral é consenso que a reativação econômica não estará garantida enquanto não houver recuperação do mercado de trabalho.
À parte o debate nos EUA, os recentes anúncios de cortes de emprego não se restringem a companhias norte-americanas. Embora a economia global venha mostrando sinais de recuperação, empresas de todo o mundo seguem reestruturando seus negócios e reduzindo a força de trabalho.
Na Alemanha, a montadora Daimler informou ontem que planeja cortar cerca de mil empregos na sua divisão de carros de passageiros Mercedes-Benz por meio de pacotes de compensação, dentro de um movimento mais amplo para reduzir custos e reorganizar a companhia. Uma porta-voz da Daimler afirmou, no entanto, que o acordo trabalhista da empresa, que descarta demissões nas operações alemãs da companhia até o fim de 2011, permanece em vigência. Ela afirmou também que a magnitude da reestruturação depende de quantos empregados aceitarão as ofertas.
A Nokia Siemens Networks, uma joint venture entre a finlandesa Nokia e a alemã Siemens, anunciou na terça-feira que está reorganizando seus negócios, o que pode levar à eliminação de até 9% de sua força de trabalho global, que totaliza 64 mil funcionários. Isso representaria um corte de cerca de 5,8 mil vagas.
O setor financeiro também não escapou da nova onda de cortes de empregos. O banco britânico HSBC Holdings informou na terça-feira que está cortando 1,7 mil empregos no Reino Unido, a maior parte deles nos segmentos de cobranças e cartões de crédito. A decisão veio apenas um dia após o Royal Bank of Scotland anunciar que planeja eliminar cerca de 3,7 mil vagas em suas operações de varejo no país.
Já a petroleira britânica BP pretende cortar cerca de 600 empregos na Alemanha. "No ano que vem, planejamos transferir 260 empregos da Alemanha para Budapeste", disse o presidente da unidade da empresa na Alemanha, Uwe Franke, ao jornal Westdeutsche Allgemeinen Zeitung, na semana passada. A BP está construindo um novo centro de serviços na capital da Hungria. Além disso, o grupo prevê eliminar cerca de 340 posições nas operações de refino de Gelsenkirchen, na Alemanha.
Outro sinal de atenção para o mercado de trabalho mundial foi o comunicado da ArcelorMittal, a maior siderúrgica do mundo, divulgado na terça-feira. A companhia afirmou que não deu garantias de que manterá empregos na Europa, embora esteja trabalhando com sindicatos para aumentar o emprego futuro diante da queda recente da demanda por aço. O comunicado da Arcelor foi emitido após a Federação dos Metalúrgicos da Europa afirmar que ambos os lados fecharam um acordo para garantir todos os 115 mil empregos da companhia no continente.

