Dieese defende maior proteção ao trabalhador no momento atual
O momento positivo da economia nacional deve servir para melhorar o sistema de proteção ao trabalhador. A sugestão foi feita pelo diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Diesse) na audiência pública sobre "Discussão das Relações do Trabalho no Brasil e no Mundo", realizada pela Comissão de Trabalho da Câmara, nesta quarta-feira (16).
Gaz defende uma regulamentação que impeça os abusos e defendeu a
aprovação da redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais
como meio de garantir mais qualidade de vida e mais emprego.
Ele
criticou a rotatividade no mercado de trabalho que, segundo ele, está
em torno de 45%, o que considera muito alto. E condenou também a
terceirização, que gera precarização da mão de obra.
Gaz apontou a
necessidade de incentivar a negociação coletiva, inclusive no setor
público. Para ele, a maioria das greves acontecem no setor público,
sendo que 80% delas são deflagradas apenas para abrir a negociação com a
administração. E defendeu a agilidade no julgamento dos conflitos
trabalhistas.
Ainda como desafios para o Brasil, Gaz considerou
necessário o investimento em formação profissional e o combate à
informalidade, já que no país há mais de 42 milhões de trabalhadores sem
sistema de proteção.
Formação para jovens
O
professor de Relações do Trabalho da Universidade de São Paulo (USP),
José Pastore, que também participou da audiência, defendeu a necessidade
de um programa de formação de jovens para o mercado de trabalho, já que
o percentual de desempregados nesse segmento, segundo ele, chega quatro
vezes o percentual de desemprego em geral.
E apontou como
medidas para minimizar os efeitos maléficos da terceirização de mão de
obra por parte das empresas, a necessidade de fiscalização constante dos
serviços terceirizados e a aprovação de uma legislação que atribua a
responsabilidade solidária e subsidiária para a empresa contratante dos
serviços, a fim de que o trabalhador terceirizado tenha a proteção
devida.
O representante do patronato, Emerson Casali, da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), defendeu mudanças na
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que, segundo ele, já conta 70
anos, é anacrônica e não acompanha a modernidade das relações
trabalhistas, gerando insegurança jurídica no setor. Considerou-a também
onerosa, principalmente quanto aos encargos, o que, segundo ele, dobra o
custo da produção.
Casali afirmou ainda que há um excesso de
dispositivos legais sobre a questão trabalhista no Brasil e que, por
isso, há mais indução ao conflito judicial e pouco estímulo ao diálogo,
gerando restrição à produção aumentando o custo da burocracia. Segundo
ele, isso precisaria mudar, para que trabalhadores tenham proteção e
empregadores, segurança jurídica.
O presidente da Comissão de
Trabalho, deputado Silvio Costa (PMN-PE), anunciou, ao final da
audiência, que pretende colocar em discussão o projeto que trata da
aposentadoria complementar para servidores públicos federais e o texto
que ratifica a convenção 158, da OIT, que dispõe sobre a proteção ao
trabalhador contra a demissão imotivada.
Por Márcia Xavier

