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redes sociais 2023

Empresários discutem criação de entidade nacional de mídia alternativa

Um grupo de empresários, produtores culturais e blogueiros reuniu-se em Porto Alegre na noite de quarta feira (25) para debater possíveis ações a serem levadas à Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que será realizada em Brasília de 14 a 17 de dezembro.

Os participantes avaliaram a possibilidade da criação de uma entidade representativa da chamada mídia alternativa, em nível nacional. A idéia que anima a proposta de criação da entidade é que, somente reunindo a mídia alternativa do país, será possível conquistar reivindicações em dezembro na Capital Federal.

A mais importante delas é a elaboração de uma nova Lei de Publicidade no país, que possibilite acesso aos recursos públicos que, atualmente, são destinados de forma maciça aos grandes veículos. A proposta foi apresentada no sábado (21), durante a Conferência Estadual de Comunicação de São Paulo. Uma das propostas apresentadas defende “a destinação de 20% da verba publicitária e de propaganda federal e das estatais a veículos que tenham como objetivo final a natureza social ou à mídia sem finalidade lucrativa que promove o debate jornalístico de idéias e agendas de interesse de toda a sociedade brasileira”. O percentual de 20% toma como base a cifra de quase 200 milhões de reais ao ano, gastos em publicidade.

Em Porto Alegre, a discussão girou em torno de garantir um processo democrático e transparente para a divisão das verbas de publicidade pública. Para Sinara Sandri, da agência Brasil Imagem, organizadora do FestFoto Porto Alegre, uma outra possibilidade seria a criação de editais para o encaminhamento da verba, como ocorre atualmente no âmbito da Cultura. Já Eugênio Neves, chargista e artista gráfico, observou que é impossível que mais de 70% do dinheiro estatal de publicidade seja encaminhado a empresas de comunicação privadas com fins lucrativos, enquanto a mídia alternativa não vê quase nada desta fatia.

Segundo Paulo Cezar da Rosa, diretor da Veraz Comunicação, a idéia é levar aos extremos algo que já vem acontecendo de foram tímida. “Os jornalões estão apavorados, pela queda nas vendas e porque este processo já vem acontecendo. De 500 grande veículos que recebiam verba de publicidade estatal, hoje o mesmo dinheiro é distribuído entre cinco mil publicações”, assinalou.

Para Elmar Bones, diretor do jornal JÁ, de Porto Alegre, o momento de movimentação e debate acerca da comunicação gerado pela Conferência é inédito no país e representa um fato muito positivo. Giba Assis Brasil, da Casa de Cinema de Porto Alegre, reafirmou essa sensação e referendou a grande possibilidade de produção de conteúdo que se abre com a distribuição mais justa de publicidade no país.

Joaquim Palhares, diretor da Carta Maior, considera que um dos primeiros passos para atingir esse objetivo é o fortalecimento da articulação política entre todos os setores comprometidos com a mesma agenda. “Mais do que declaração genéricas de apoio, precisamos construir iniciativas concretas que mostrem à população a natureza do problema e como ele influencia na vida diária. Essa é uma condição para a democratização do Estado brasileiro, para a promoção do acesso à informação por meio da pluralidade de fontes, da cultura nacional e para o estímulo à produção regional e independente”.

www.cartamaior.com.br

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