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Entrevista: Eduardo Sant'Anna assume Superintendência do BB em Sergipe

Aos 46 anos de idade, o baiano natural de Ilhéus, Eduardo Sant'Anna, faltando três anos para completar três décadas de atuação no Banco do Brasil - BB -, assume a Superintendência do Estado de Sergipe. Há pouco mais de 30 dias por essas terras, Eduardo chega à função após uma saída estremecida do antigo superintendente daqui, o mineiro Neirim Goulart, que atualmente ocupa a Superintendência de Pernambuco, antiga cadeira do próprio Eduardo. Mas nada parece desanimar a vinda dele. "Embora os resultados estejam dentro do esperado, queremos fazer um pouco mais. Aliás, diria muito mais", afirma confiante.

Eduardo Sant'Anna é daqueles executivos desassossegados, inquietos. Apesar de já carregar 27 anos de BB, passar pela Superintendência do Maranhão e por mais oito no Nordeste - agora só falta a da Paraíba -, e de conhecer boa parte das pedras que encontrará no caminho, ele ainda mostra empolgação ao falar sobre suas pretensões profissionais e das trilhas áridas que percorrerá para alcançá-las. E nele estão depositadas todas as expectativas de ver essa instituição financeira ter uma atuação mais contundente no Estado de Sergipe, onde há queixas contra o modo de operação. Eduardo chega e traz na mala a responsabilidade de fazer essa Superintendência andar a passos mais largos. E será cobrado por isso.
Aqui em Sergipe, Eduardo se depara com um problema que não tinha - ou tinha muito pouco - na Superintendência de Pernambuco, onde ficou por 3,5 anos: dificuldade para encorpar o quadro de funcionários. No Estado sergipano, vive-se uma realidade amarga e muito paradoxal, em que há carência de mão-de-obra e ao mesmo tempo um processo lentíssimo de convocação dos concursados.

Eduardo promete empenho nessa questão. "Depois que cheguei, já fizemos treinamento de entrada de oito novos funcionários. Talvez tenha dado sorte, fruto do acaso. Mas nossa disposição é fazer uma ampla revisão de nossa rede de agências", compromete-se.

De acordo com Eduardo, no pouco que conseguiu observar, Sergipe possui vários pontos que precisam ser supridos. "Dentro do possível, se conseguir aprovação do Conselho Diretor, o que farei com muita ênfase até pelas muitas oportunidades que vejo em Sergipe, acho que vamos conseguir autorizar mais algumas agências se não para 2009, pelo menos para 2010. E isso requer mais pessoas. Cidades como Itabaiana, onde há apenas uma agência e não existem condições de ampliação, a única alternativa que vejo é uma outra agência. Vou começar a trabalhar nisso e em soluções alternativas. Por isso, acredito que novos funcionários serão chamados", projeta.  Veja a seguir continuação da entrevista publicada no Cinform.


Eduardo Sant'Anna: "Nem castigo, nem prêmio. É predileção pelo Nordeste"

Superintendente fala sobre planos e diz estar muito feliz com decisão do BB em trazê-lo pra Sergipe


O novo superintendente do Banco do Brasil - BB - em Sergipe, Eduardo Sant'Anna, está na função há pouco mais de um mês, mas já impõe ritmo acelerado frente aos desafios que terá aqui. Propositivo e mostrando boa vontade, ele já vislumbra uma nova forma de atuação do BB no Estado. "Eu me sentiria muito mal se passasse dois ou três anos em Sergipe e não conseguisse alterar a qualidade de vida do povo sergipano", afirma o executivo.

Na última terça-feira, 7, Eduardo Sant'Anna deixou a Superintendência na Praça General Valadão, veio ao CINFORM e fez sua primeira interlocução direta com a mídia sergipana. Bastante à vontade, ele afirmou que vai deitar a cabeça no travesseiro satisfeito se daqui a seis meses conseguir o contentamento dos 604 funcionários do banco, da sociedade e dos acionistas.

"Se conseguir a satisfação desses três entes, meu sono será muito mais tranquilo do que já é, independente do resultado que tenhamos", avalia. Eduardo também falou sobre sua chegada à queima-roupa, a relação com o sindicato, investimentos e projetos a serem implementados no Estado, bem como outros temas. Em sua visita, Eduardo estava acompanhado da assessora de Comunicação e Marketing, Márcia Chalita, e foi recebido pelos diretores Executivo Antônio Bonfim; Comercial, Adriano Bonfim e de Jornalismo, Jozailto Lima, e pelo editor deste Caderno, Breno Lima. Leia entrevista com ele. 

CINFORM - De uma forma objetiva, o que foi feito nesses pouco mais de 30 dias em que o senhor está à frente da Superintendência sergipana?
Eduardo Sant'Anna - Conseguimos crescer bastante no estímulo ao crédito direcionado ao micro e pequeno empresário através do cartão BNDES, que não é exclusivo do banco. Essa é uma ação muito importante porque oportuniza investimento e possibilita ampliação da capacidade instalada, modernização e aquisição de utilitários, dentre outras ações. Só tínhamos 500 cartões vendidos no Estado, mas a aceitação foi tão grande que oferecemos mais 1.800 às empresas - eles foram aceitos e já estão a caminho.
 
CINFORM - Como é que o BB está estruturado em Sergipe: são quantos funcionários e agências?
ES - Hoje temos 47 agências e cerca de 600 funcionários, incluindo os que estão vinculados a outros órgãos, mas que nos prestam assessoria.

CINFORM - Que primeira impressão o senhor teve do Sindicato dos Bancários de Sergipe e o que espera desse embate-relacionamento?
ES - Chamo de relacionamento, até porque também já militei em Ilhéus, minha cidade de origem na década de 1980. A impressão que tive foi a melhor possível. O presidente José Souza foi muito gentil. Ele não apenas me recebeu, como também reuniu praticamente toda a sua diretoria. E isso não é comum. Imediatamente, Souza se colocou à disposição. Já fiz, inclusive, uma proposta para ele. Temos um programa de avaliação periódica da saúde dos funcionários e chamei-o para pegar os dados, comparar com os anos anteriores e avaliar. Meu relacionamento com sindicato não é apenas cortês. É próximo.

CINFORM - Existe uma cultura de que todos os grandes negócios de Sergipe são prospectados em agências de outros Estados. O que justifica essa linha desvirtuada?
ES - Na verdade, os negócios são feitos aqui. Apenas administrativamente a orientação negocial é recebida daquela agência de outros Estados. Por exemplo, as micro e pequenas empresas - MPEs - e as pessoas físicas seguem a orientação negocial aqui da Superintendência. As grandes empresas têm especificidades próprias e exigências que as MPEs não possuem. E isso requer uma estrutura especializada. As contas de grandes empresas, bem como os negócios e o ISS são daqui. A orientação negocial é que vem de outro local. Isso acontece em Sergipe, Alagoas - que é vinculado a Pernambuco -, e o Vale do Jequitinhonha, em Minas, e Piauí, dentre outros que não possuem complexidade para ter uma agência que gere um ponto autônomo. Até o fim do ano, deveremos inaugurar no Estado uma Agência Estilo, destinada ao segmento de alta renda.

CINFORM - Mas há queixa de ausência do Banco. O senhor não tem o diagnóstico de que o BB é de fato omisso no Estado de Sergipe?
ES - Essa informação chega até mim agora em primeira mão e vou analisá-la com muito carinho, com atenção. Sergipe tem atingido todos os resultados esperados. Confesso: é a primeira vez que ouço essa queixa. Já estivemos no Conselho do Sebrae, entidade onde praticamente todo o empresariado está representado e da qual o BB faz parte, e talvez por uma questão de gentileza nada chegou a mim. Mas asseguro que vou prestar atenção nisso.

CINFORM - O senhor traz para si quais responsabilidades e compromisso em Sergipe?
ES - Embora os resultados estejam dentro do esperado, queremos fazer um pouco mais. Aliás, diria muito mais. Tenho dito aos colegas que é muito fácil ser gerente por dois ou três anos, abrir a porta às 10 horas e fechar às 15 horas, e não alterar a qualidade de vida da população na qual está inserido. Eu me sentiria muito mal se passasse dois ou três anos em Sergipe e não conseguisse alterar a qualidade de vida do povo sergipano.
 
CINFORM - Alguns empresários partem da ideia de que o Banco do Brasil poderia ser vendido ao Banese por este ser um banco puxador de grandes implementações desenvolvimentistas no Estado, ao contrário do BB.
ES - Respeito muito o Banese. Aliás, acho que Sergipe é muito bem servido porque tem uma característica que nenhum lugar do país possui. Sergipe possui um banco estadual forte. Isso é muito importante e nenhum outro Estado tem. Prova o acerto não apenas das pessoas que administraram o banco, como também dos governantes que em última instância são as pessoas que colocam esses administradores lá. Então, o Banese é motivo de orgulho e isso deve ser comemorado. Mas digo que temos uma inserção muito boa. Não reputo como ausente pela primeira análise que faço e queremos fazer muito mais.

CINFORM - Essa ‘inserção muito boa' se traduz em quê?
ES - Temos uma boa inserção, por exemplo, em agricultura familiar. Hoje, já estamos ultrapassando o Banco do Nordeste - BNB - que tradicionalmente é muito forte nessa área. Temos a estratégia de desenvolvimento regional sustentável em que apoiamos atividades que são vocações locais, econômica e politicamente viáveis, ambientalmente corretas e socialmente justas. Já temos uma dessas atividades praticamente em cada um dos 74 municípios do Estado. Aí arrisco dizer que somos, seguramente, uma das instituições que tem um programa de geração de emprego e renda em cada um dos municípios do Estado.

CINFORM - A Superintendência sergipana amarga a nona colocação entre as do Nordeste na avaliação Sinergia do BB. A sua vinda para cá tem a ver com isso? Foi castigo ou prêmio?
ES - Nem castigo, nem prêmio. É uma predileção pelo Nordeste. Há uma característica do banco de o administrador não retornar mais de uma vez no local onde já foi superintendente. Minhas opções estão se esgotando. Só me restavam Sergipe e Paraíba. Sergipe, inclusive, atende bastante aos meus interesses profissionais e pessoais. Tenho família nos Estados de Pernambuco e Bahia. Estou, portanto, no meio termo. Não temos muito poder de escolha. Podemos ser enviados para qualquer lugar. Mas confesso que fiquei feliz por ter vindo para Sergipe.

CINFORM - Mas o que causou bastante estranheza foi Neirim Goulart, antigo superintendente daqui e atual de Pernambuco, ficar apenas um ano em Sergipe.
ES - Mas isso é normal. Antes de ir para Pernambuco, passei um ano no Piauí. E antes de ir para o Piauí, fiquei 1,8 anos no Rio Grande do Norte. Então, não existe uma correlação de tempo. Essas mudanças são normais. O banco faz isso porque entende que existe um estímulo natural e um novo recomeço para os seus administradores quando muda. É incomum passar muito tempo num só lugar. Em Pernambuco, fiquei 3,5 anos, mas isso não é normal.

CINFORM - Daqui a seis meses, o senhor vai deitar a cabeça no travesseiro satisfeito com quais resultados?
ES - Vou deitar a cabeça satisfeito daqui a seis meses se tiver a satisfação dos 600 funcionários do Banco do Brasil no Estado - o que também inclui o Sindicato dos Bancários de Sergipe - e com os reconhecimentos da sociedade e dos acionistas do banco, que tem como principal acionista o Governo Federal. Então, se conseguir a satisfação desses três entes, meu sono será muito mais tranquilo do que já é, independente do resultado que tenhamos.

Breno Lima, editor do Caderno Emprego & Mercado do Jornal Cinform

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