Hermelino Neto: Os novos desafios da Federação dos Bancários
O Bancário - Qual a diferença entre uma federação e um sindicato?
Neto - O sindicato representa os trabalhadores, estabelecendo um vínculo de confiança, através do conhecimento e atendimento de demandas mais imediatas como problemas cotidianos nas agências. Já a federação se relaciona com os sindicatos, atuando no direcionamento político das campanhas salariais e na organização de eventos como os congressos e encontro de lideranças sindicais.
O Bancário - Qual o balanço desses 40 anos de lutas da Federação?
Neto - A Federação nasceu limitada pela ditadura militar e esteve muito atrelada aos interesses do governo, com uma prática sindical puramente cartorial. Em 1988, a entidade começou a romper com esse modelo e adquiriu uma nova cara a partir de 1991, quando foi implementada uma nova visão de sindicalismo voltado para a luta de classes: o sindicalismo classista. A mudança foi fundamental para a Feeb se tornar o que é hoje.
O Bancário - Quais os maiores desafios enfrentados em 4 décadas?
Neto - O principal foi a mudança na forma de eleição da diretoria. Antes, cada sindicato tinha direito a apenas um voto. Agora, o número de votos de cada entidade é proporcional ao número de bancários de cada entidade. A nova diretoria da Feeb é eleita durante Congresso, com os votos dos delegados eleitos em assembléias. Outro momento importante foi quando a Feeb se tornou a primeira federação de bancários a se filiar à CUT, Central da qual se desfiliou em 2007 com a fundação da CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil).
O Bancário - Quais são as principais bandeiras de luta da Federação?
Neto - Com certeza, a defesa do emprego, melhores salários e condições de trabalho para os bancários. Nós lutamos também por isonomia nos bancos públicos, implantação do Plano de Cargos e Salários (PCS) na rede privada, fim do assédio moral, fim das metas abusivas e igualdade de oportunidades de emprego no setor financeiro.
O Bancário - Como a Feeb pode ajudar os bancários?
Neto - Embora a Federação atue mais diretamente com os sindicatos, os diretores têm uma relação muito próxima com o cotidiano dos bancários, através de visitas aos bancos, distribuição de materiais informativos e participação nas greves. Além disso, é a Feeb que indica os representantes da categoria nas comissões de empresas dos bancos e assina os acordos coletivos. A entidade também atua junto à direção dos bancos para resolver problemas que interferem na vida dos bancários de vários sindicatos de sua base.
O Bancário - Qual a estrutura da Feeb e como funciona?
Neto - Temos uma sede própria, em Salvador, três funcionários e uma diretoria com 56 integrantes, distribuídos entre as bases sindicais. Temos a diretoria executiva, as diretorias regionais, o conselho fiscal, além de suplentes em todas as funções.
O Bancário - Como a Federação se mantém?
Neto - Basicamente do imposto sindical. Temos também as mensalidades dos sindicatos filiados, mas a maior parte dos nossos recursos são provenientes do imposto sindical.
O Bancário - Quais os principais desafios da Federação para os próximos anos?
Neto - Temos muitos desafios. Os principais são expandir a interiorização da Federação, aumentar a visibilidade perante a sociedade, ampliar a participação nos movimentos sociais e investir na formação política da diretoria.
SEEB-BA

