Inadimplência recua, mas provisões para empréstimos duvidosos não caem
De acordo com a Febraban, o volume de provisões está estável há seis semestres entre 6,1% e 6,3% do total emprestado pelas instituições financeiras, enquanto a inadimplência encerrou 2012 em 3,4%. No primeiro trimestre de 2008, quando a inadimplência atingia 3,5%, as provisões equivaliam a apenas 5% da carteira de crédito.
Para o economista e especialista em crédito Fábio Gallo, da Fundação Getulio Vargas (FGV), a demora de os bancos reagirem à queda da inadimplência é natural e se deve ao temor de que o nível de pagamentos em atraso volte a aumentar em 2013. "A inadimplência parece ter voltado à normalidade, mas ainda não há certeza de que essa queda seja consistente. Nem todos os números indicam isso", diz.
Um dos sinais, destaca o economista, de que os riscos ainda não estão erradicados deve-se à expansão do crédito em 2009 e 2010. Nesses anos, o governo concedeu empréstimos com juros baixos e prazos longos para estimular a economia. "Existe uma questão temporal. Quem comprou carro em 60 meses naquela época ainda está no meio do percurso e, em algum momento, pode não dar mais conta de arcar com o financiamento", explica.
A manutenção do volume de provisões em níveis mais altos tem tido impacto sobre o lucro dos bancos. Segundo o próprio levantamento da Febraban, as despesas com as provisões, quando as instituições, de fato, usam as reservas para cobrir prejuízos com a inadimplência, saltaram de R$ 60 bilhões no fim de 2011 para R$ 75 bilhões no fim do ano passado. Isso, de acordo com a pesquisa, fez os lucros acumulados em 12 meses pararem de crescer e permanecerem em torno de R$ 51 bilhões nos últimos dois anos.
Como o patrimônio líquido das instituições financeiras pesquisadas não parou de aumentar, os bancos tornaram-se menos rentáveis. De acordo com a Febraban, a rentabilidade acumulada do segmento em 12 meses encerrou o ano passado em 17,6%, o menor nível na história recente. "Os balanços recentes dos bancos vieram piores justamente porque os bancos tiveram que reforçar as provisões", avalia Gallo.
Se a inadimplência aumenta as provisões e reduz os lucros das instituições financeiras, o cidadão que pega empréstimos também sente o impacto da inadimplência por meio das taxas de juros. Segundo o Banco Central, a taxa média de juros do sistema financeiro encerrou janeiro em 18,5% ao ano, 0,5 ponto percentual a mais que em dezembro. "A inadimplência compensa e, em alguns casos, até anula o efeito positivo da queda dos juros básicos [taxa Selic] nas linhas de crédito", diz o especialista da FGV.
Fonte: Agência Brasil

