Iniciativa da CTB triunfa: Conclat reúne 30 mil trabalhadores em SP
A classe trabalhadora brasileira viveu nesta terça-feira (1º de
junho) um dos dias mais importantes de sua história. O Estádio do
Pacaembu, em São Paulo, foi palco da segunda edição da Conclat,
iniciativa resgatada pela CTB em seu Congresso de Fundação — em dezembro
de 2007 — e agora concretizada por mais de 30 mil trabalhadores e
trabalhadoras de todo o país.
Unidas, CTB, Força Sindical, Nova
Central, CGTB e CUT demonstraram para a sociedade brasileira a
capacidade de articulação das centrais sindicais do Brasil, ao organizar
um evento da magnitude e importância da Conferência Nacional da Classe
Trabalhadora. A partir desse espírito unitário foi possível aprovar, em
uma grande Assembleia, a Agenda da Classe Trabalhadora, com vistas a um
projeto nacional de desenvolvimento com soberania e valorização do
trabalho.
A CTB, desde seu Congresso de fundação, apostou na proposta de levar
às outras centrais esse projeto, que só pôde se tornar realidade graças a
um longo processo de unidade, que traduziu o novo momento vivido pelo
sindicalismo no Brasil. Esse documento agora será entregue a todos os
candidatos à Presidência da República e servirá como base para as
próximas campanhas de luta da classe trabalhadora no país.
A
Declaração Política do 2º Congresso da CTB, realizado em setembro de
2009, já adiantava como deveria ser o processo de constituição do evento
realizado neste 1º de junho. “Para coroar o processo de unidade que já
está em curso, a CTB propõe a realização de uma nova Conclat -
Conferência Nacional da Classe Trabalhadora, reunindo milhares de
sindicalistas de todas as centrais e entidades sindicais,
independentemente das posições políticas e ideológicas, sem
discriminações. A Conclat vai elevar a um novo patamar o nível de
intervenção e influência do sindicalismo e da classe trabalhadora na
vida nacional”, dizia o texto.
Segundo o presidente da CTB,
Wagner Gomes, depois da segunda edição da Conclat, o Brasil verá surgir
um novo movimento sindical. “É uma vitória da unidade, independentemente
de quem teve a iniciativa desta Conferência. Daqui para frente, a
classe trabalhadora terá um papel mais elevado, e certamente influirá
cada vez nas decisões políticas do país”, afirmou.
O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch, também destacou a unidade das centrais. “No Congresso da CTB eu já dizia que essa seria uma das melhores propostas surgidas no seio sindical ao longo dos últimos anos. É claro que seria necessário um amadurecimento de todas as centrais — e isso felizmente ocorreu”, comentou.
Participaram da Conferência representando a Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, o presidente da entidade, Emanoel Souza, e o diretor de Imprensa, João Milton. Para João Milton, que esteve presente no primeiro Conclat, em 1981, este encontro representa "um processo de mudança do movimento sindical, com o objetivo de ter unidade na luta dos trabalhadores".
Seis eixos
A Agenda da Classe
Trabalhadora, documento aprovado por unanimidade pelos cerca de 30 mil
participantes da Conclat, contemplou seis eixos considerados
estratégicos pelas cinco centrais e traduziu sua unidade de luta:
1.
Crescimento com Distribuição de Renda e Fortalecimento do Mercado
Interno;
2. Valorização do Trabalho Decente com Igualdade e Inclusão
Social;
3. Estado como Promotor do Desenvolvimento Socioeconômico e
Ambiental;
4. Democracia com Efetiva Participação Popular;
5.
Soberania e Integração Internacional;
6. Direitos Sindicais e
Negociação Coletiva.
O vice-presidente da CTB, Nivaldo Santana,
já adiantava em recente artigo que o conteúdo da Agenda da Classe
Trabalhadora indicaria o fim da era neoliberal para o país. “O conteúdo
das propostas indica que a imensa maioria do sindicalismo nacional se
posiciona contra o retrocesso neoliberal e em defesa da continuidade e
aprofundamento das mudanças progressistas inauguradas com o governo do
presidente Lula”, sustentou o dirigente.
Unidade
Os discursos dos cinco
presidentes das centrais destacaram a unidade conquistada ao longo dos
últimos meses, período em que se materializou o documento final da
Conclat.
Antônio Neto, da CGTB, disse que essa união deve servir
de exemplo para as próximas lutas do sindicalismo. “A grande virtude
deste palanque é a unidade. Até 2002, estávamos na resistência e esta
assembleia marca a maturidade das centrais. Organizadas, só temos a
ganhar. Temos agora que seguir unidos para que sigamos avançando”,
afirmou.
Para José Calixto Ramos, da Nova Central, essa unidade
tem que ser traduzida em novas ações de luta. “Soubemos lidar com nossas
diferenças para organizar este evento. Somente a unidade de ação trará
resultados satisfatórios para a classe trabalhadora”, bradou.
O
presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, lembrou que,
apesar da amplitude do documento elaborado pelas centrais (são 249 itens
no total), prevaleceu a unidade em torno das causas mais importantes.
“Nós já vínhamos buscando isso há muito tempo. Temos divergências, é
claro, mas aprendemos a nos unir naquilo que é mais importante para os
trabalhadores”, disse.
Artur Henrique, da CUT, lembrou que essa mesma unidade demonstrada na
Conclat foi a responsável por conquistas recentes, como o
reconhecimento das centrais e a política de valorização do salário
mínimo. Segundo ele, esse mesmo esforço deve ser feito nas próximas
eleições, no sentido de evitar qualquer retrocesso político para o país.
“O desafio é muito grande, pois não podemos permitir a volta ao poder
daqueles que trouxeram tanto atraso para o Brasil”, afirmou.
O
presidente da CTB, em seu discurso, destacou o caráter histórico da
Conclat e sustentou que a mesma unidade demonstrada pelas centrais deve
servir de exemplo para um novo projeto nacional de desenvolvimento.
“Estamos fazendo história e devemos ter consciência de que o destino do
Brasil depende de nós. Os rumos políticos da nação podem ser mais ou
menos progressistas dependendo da participação da classe trabalhadora
nas batalhas em curso e, em especial, nas eleições de outubro, nas quais
devemos nos empenhar de corpo e alma para eleger candidatos
identificados e comprometidos com nossa agenda”, disse.
Wagner
Gomes lembrou também que a responsabilidade dos trabalhadores e
trabalhadoras é muito grande, bem como seus desafios. Mas mostrou-se
otimista quanto ao futuro e também adiantou qual será a tarefa do
movimento sindical para este ano: “Derrotamos o neoliberalismo nas urnas
em 2002, voltamos a derrotá-lo em 2006 e vamos lhes impor uma nova
derrota em outubro, barrando a possibilidade de retrocesso. É esta a
nossa tarefa comum neste ano”.
Fernando Damasceno – Portal CTB

