Joilson Cardoso: É fundamental que tenhamos unidade de classe
Para
o secretário de Política Sindical e Relações Institucionais da CTB,
Joílson Cardoso, a trajetória de cinco anos da CTB foi, sem dúvida,
marcada pela luta em torno da unidade. O dirigente, no entanto, faz
questão de ressaltar que, na atual conjuntura, é fundamental que a
central apresente à sociedade uma verdadeira unidade de classe.
Nesta entrevista, o dirigente, que também é secretário nacional Sindical do Partido Socialista Brasileiro (PSB), faz um balanço dos cinco anos da CTB, relembra como foi seu processo de fundação e compartilhar suas expectativas para o próximo período de lutas.
Confira abaixo:
Portal CTB: Como foi, dentro do PSB, o processo de teorizar e depois colocar em prática a fundação da CTB?
Joílson Cardoso: Nós vivemos todo um processo político interno e
externo para tomarmos a decisão de fundar a CTB. Tivemos a realização de
vários encontros estaduais, e depois fizemos um congresso nacional
extraordinário, pouco antes da fundação da CTB. Foi todo um processo de
deliberação política até chegarmos à decisão de romper com a CUT e
fundar a CTB.
Nesse sentido, tivemos muito apoio da Direção Nacional do PSB, com destaque para as figuras de Eduardo Campos e Roberto Amaral [respectivamente presidente e primeiro vice-presidente do PSB]. Roberto Amaral, inclusive, foi o grande orientador dessa nossa política. E por que resolvemos criar a CTB? Em primeiro lugar, achamos – e o tempo confirmou essa percepção – que a CUT havia capitulado ao governo. Em segundo lugar, achávamos que o projeto da CUT havia se esgotado em função de uma prática política hegemônica por parte de forças que dominavam e ainda dominam a CUT. Por outro lado, nós nos ressentíamos da necessidade de unificar, em uma só central, o nosso campo classista. A luta de classes existe, pois existe uma classe que explora e outra que é explorada. Essa visão também é acrescentada pela defesa intransigente que nós fazemos do socialismo.
Precisávamos unificar no Brasil esses dois campos, que no Brasil são representados pelos socialistas e pelos comunistas. Mais do que isso, fomos também buscar outros setores do movimento sindical, que são independentes, mas que veem na nossa proposta algo ampliado, em defesa da classe trabalhadora. Houve um grande entendimento entre essas forças políticas, cujo auge se deu no histórico Congresso de Belo Horizonte, em 2007.
A unidade de luta é a grande característica desse período?
Quero começar falando sobre o propósito da CTB. Conforme o tempo passa,
cada vez mais constatamos o quão acertado foi termos fundado a CTB.
Nesses cinco anos, fomos protagonistas em vários campos, especialmente
na defesa da classe trabalhadora e do sistema organizativo sindical
brasileiro (baseado na unicidade e na contribuição sindical). Lutamos
muito contra as investidas que tentaram quebrar a unicidade. Seu fim
seria a transformação do sindicato em um sabonete, que poderia ser
disputado por uma ou outra central. Ele deixaria de ser um instrumento
de luta da classe trabalhadora. Até aqui, vencemos essa batalha.
A unidade das centrais é uma defesa que nós fazemos. A CTB foi quem mais defendeu essa união das entidades superiores de organização dos trabalhadores. Neste momento isso se repete, pois estamos defendendo o retorno das marchas a Brasília. Independentemente de nossas divergências, temos que nos unificar em alguns pontos e trabalharmos em uma frente ampla.
A Conclat é o grande exemplo?
Ela foi um grande ensaio do
que podemos fazer – e podemos fazer muito mais. Outro exemplo foi a luta
pela valorização do salário mínimo. Antes lutávamos por um benefício de
US$ 100 e hoje ele já vale mais de US$ 300. Essa conquista foi uma
grande demonstração de unidade. Sobre as marchas, precisamos voltar a
pautar o Congresso, em Brasília, com os temas de interesse da classe
trabalhadora. Precisamos de uma série de reformas estruturais, que
prepararão o país para se desenvolver nos próximos cinco, dez, 20 anos.
Como você imagina a CTB nos próximos anos? Que espaço existe para crescer mais?
A CTB tem que se preparar para esse futuro. Temos acertado muito, por
exemplo, na política internacional e nas políticas de relações
institucionais. Temos adotado posições muito firmes e coerentes. Isso
nos dá uma visibilidade única aos classistas, com vistas a ampliar nossa
central, a trazer mais sindicatos filiados. Com esse crescimento,
poderemos nos transformar em uma força política mais efetiva. Enquanto
classe trabalhadora, queremos disputar o poder e levar o país para
frente, contra qualquer retrocesso. Isso tem a ver com o acúmulo de
força que temos construído. Não podemos nos preocupar apenas com
questões corporativas. Temos que nos preocupar também com um projeto
nacional que tenha em seu centro a vida dos trabalhadores e das
trabalhadoras. Mais do que a unidade das centrais, é fundamental que
tenhamos unidade de classe. Para isso, temos que nos preparar. Temos que
desenvolver uma campanha efetiva sobre nossa plataforma, sobre a
importância da CTB, o que ela é e o que ela defende.
A partir desse seu ponto de vista, como você vê os preparativos para o 3º Congresso da CTB?
O próximo Congresso fará parte desse sentimento que nós temos. Há um
balanço positivo desses cinco anos, mas o 3º Congresso inaugura uma nova
fase da CTB. Essa fase será marcada pela afirmação e reafirmação de
nossas posições, pela inclusão de novas propostas e por uma ampla
discussão sobre nosso país. Precisamos discutir também, dentro da visão
classista que temos, qual o papel que podemos jogar na sociedade.
Esse Congresso, portanto, se reveste de grande importância. Será um marco, assim como foi o de fundação, há cinco anos. Iremos fazer um debate profundo e nos preparar para os próximos cinco anos. Não podemos dizer que acertamos em tudo. Acertamos na maioria das coisas, mas precisamos corrigir os erros, otimizar os acertos e nos preparar para a vida longa que temos pela frente.
Fernando Damasceno – Portal CTB

