Lula atacará flexibilização de lei trabalhista na OIT
Lula quer aproveitar a crise financeira internacional para defender o "modelo brasileiro de crescimento" e apresentá-lo como uma base a ser seguida. Lula destacará o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a criação de empregos que os projetos tendem a gerar. O presidente brasileiro, portanto, colocará em questão toda a ideia de um estado mínimo e insistirá na defesa de investimentos públicos.
Lula deve, ainda, questionar o maior impulso dado nos últimos meses à ideia de uma maior flexibilização no mundo do trabalho como forma de evitar o aumento do desemprego. Nos países ricos, a taxa de desemprego atingiu o maior nível em 15 anos.
Mas o recado do governo brasileiro será exatamente o contrário: no momento de crise, o que se necessita é de maiores garantias de estabilidade para o trabalhador.
O governo estuda até mesmo ratificar a convenção 158 da OIT que prevê condições rígidas para que um trabalhador possa ser demitido. O Brasil já havia ratificado a convenção, mas a abandonou.
Na segunda-feira, Lula ainda assinará com a OIT uma declaração se comprometendo mais uma vez a erradicar o trabalho escravo e infantil até 2015. O governo admite que não tem números exatos desses problemas no País. A Comissão Pastoral da Terra chega a dizer que, para cada uma pessoa libertada no País, outras três ainda estão em uma situação de trabalho escravo.
Pela declaração, o Brasil ainda garante que dará US$ 300 mil para um fundo da OIT para ajudar países mais pobres a erradicar o trabalho escravo e infantil. Haiti, Paraguai e Equador devem receber os recursos.
A OIT conta com programas localizados na Bahia para a erradicação do trabalho escravo. Mas se recusa a dar sua chancela, por enquanto, a Estados do Centro-Oeste que querem apenas usar o nome da entidade.
Além de Lula, a cúpula contará com cerca de dez presidentes, entre eles o da França, da Noruega e de Moçambique. A delegação brasileira é, de longe, a maior inscrita no evento, que ocorrerá na sede da Organização das Nações Unidas (ONU). No total, serão quase 110 pessoas representando o País, incluindo quatro ministros, entre eles Carlos Lupi, do Trabalho, e o chanceler Celso Amorim. A delegação brasileira ainda conta com uma dezena de deputados, sindicalistas, líderes da CUT e representantes do setor empresarial.
O Estado de S.Paulo

