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Ministro do Trabalho e Emprego defende redução da jornada

Em entrevista à Agência Reuters, Lupi disse opor-se a qualquer projeto que mexa nos direitos do trabalhador

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, afirmou quarta-feira que é contra a proposta de desoneração da folha de pagamento, iniciativa amplamente defendida por empresários brasileiros, e anunciou que lutará pela redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, como forma de aumentar a oferta de empregos no país.
Em entrevista à Agência Reuters, Lupi disse opor-se a qualquer projeto que mexa nos direitos do trabalhador. A Fazenda chegou a prometer apresentar uma proposta ainda este ano, sem antecipar o modelo da redução de impostos.

- Eu não defendo a desoneração da folha de pagamento. Defendo uma reforma tributária que não signifique perda de direito para o trabalhador - argumentou o ministro do Trabalho, acrescentando.:

Otimismo

- Vamos discutir ICMS, vamos discutir Imposto de Renda, vamos discutir isenções para setores estratégicos de concorrência internacional. Por que você tem que discutir o que tirar do trabalhador, questionou Carlos Lupi.

Segundo o ministro, os tributos atuais são fundamentais para garantir benefícios, como aposentadoria, pensão e seguro-desemprego para o contingente de assalariados do país. 

- Como vamos desonerar Fundo de Garantia, por exemplo", questionou o ministro. Presidente licenciado do PDT, herdeiro direto do PTB de Getúlio Vargas, Lupi mostra-se menos sensível aos apelos por um ambiente de negócios mais atrativo.

Declarando-se um otimista, Lupi fez previsões sobre a economia. Disse que a taxa de desemprego no Brasil ficará entre 7,6% e 7,7% este ano, patamar próximo do período pré-crise (por volta de 7,5%) segundo suas estimativas.

Para o ministro, a taxa de julho (que será divulgada na quinta-feira) ficará entre 7,9% e 8,%, contra os 8,1% registrados em junho. Pesquisa da Reuters indicou, segundo a mediana de 30 projeções, que a taxa de julho deve ser de 8,3%.

- Pelos dados que eu tenho, acredito que continue caindo. Há muito tempo que o pior (da crise) já passou, disse o ministro.

Lupi anunciou que buscará adeptos no Congresso para a proposta de reduzir a jornada de trabalho no país para 40 horas semanais, frente às atuais 44 horas. Diversos projetos versam sobre o tema no Congresso, todos apresentados por parlamentares ligados à política de esquerda.

Apesar da polêmica, o governo pode usar sua folgada maioria para aprovar o projeto na Câmara. O problema, porém, está no Senado, onde a base governista é mais frágil.
- Estou pagando para ver um senador votando contra o trabalhador, afirmou Lupi.

JB Online

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