OIT alerta sobre possíveis impactos da construção sustentável na geração de empregos
"Empregos verdes" na construção civil foi o tema debatido em encontro promovido pelo Departamento de Engenharia de Construção Civil da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), pela OIT e pelo Conselho Brasileiro da Construção Sustentável (CBCS). A palestra de Edmundo Werna, coordenador do Programa de Ação em Construção da Organização Internacional do Trabalho (OIT), teve a preocupação de associar emprego às questões ambientais, lembrando que o conceito de sustentabilidade não diz respeito apenas ao meio ambiente, mas envolve também questões sociais e econômicas.
Será que as tecnologias sustentáveis criarão ou eliminarão empregos? Se um dos dois cenários ocorrer, como o setor da construção civil, no Brasil e no mundo, deve se preparar para enfrentar a questão? Como qualificar os trabalhadores para lidar com as novas tecnologias sustentáveis? Estas são as indagações básicas da OIT, que pretende desenvolver uma metodologia que torne possível estudar estes diversos cenários, de forma a antecipar os impactos negativos e maximizar os positivos.
O objetivo da OIT é criar uma modelagem para análise desse cenário complexo e posteriormente assessorar governos, instituições e setor privado, sobre as medidas necessárias para enfrentar desafios e oportunidades de conciliar emprego e conservação ambiental. O primeiro estudo está sendo feito na África do Sul. "Temos a intenção de realizar pesquisa semelhante no Brasil. Neste momento, estamos na fase de debates, colhendo informações em diversos lugares, para depois analisar o comportamento das tecnologias de baixo impacto ambiental em relação aos empregos", explica Werna.
Em geral, as perspectivas de criação de novos empregos e novas qualificações são positivas, tanto nos países desenvolvidos, já quase totalmente "construídos", como nos países em desenvolvimento. Os primeiros deverão gerar vagas no mercado de reformas e retrofit (adequação de edificações antigas a novos usos e tecnologias). Hoje, o uso de energia em edificações (para iluminar, aquecer ou resfriar ambientes e água) é responsável por 33% das emissões de CO2 no mundo. Esse levantamento, feito pela Universidade Oxford Brookes, da Inglaterra, estima ainda que, de hoje até o ano de 2020, o volume de novas construções no mundo será de 20% em relação ao que já está construído. Ou seja, as construções já existentes representarão 80% do total até 2020. Os países em desenvolvimento concentrarão a maior parte dessas novas construções e têm na mão o poder de evitar novas emissões, se adotarem técnicas de construção sustentável.
E como cerca de 80% das edificações já estarão construídas, grande parte necessitará de reformas, adaptações e manutenção, o que gerará novos postos de trabalho. "Esse segmento terá, portanto, um peso grande na prevenção das mudanças climáticas e na geração de empregos", analisa Werna. Além disso, a União Européia aprovou uma lei que determina que todos os prédios públicos, industriais e comerciais revejam seus sistemas de consumo de energia nos próximos dez anos, o que abre grandes perspectivas de investimentos no setor da construção.
Ao mesmo tempo, deverá haver um esforço de qualificação dos trabalhadores em relação às novas tecnologias ambientalmente corretas. Werna explica que mesmo na Europa há escassez de mão-de-obra capacitada para instalar e fazer manutenção de sistemas de aquecimento solar, por exemplo. Mas informa que se houver 20% de economia no consumo de energia na União Européia, poderão ser criados cerca de um milhão de postos até 2020, com 100 mil trabalhadores diretamente empregados nas indústrias de painéis fotovoltaicos.
Impacto no Brasil
No Brasil, existe grande potencial de redução de emissões de CO2 e de geração de empregos. No entanto, Werna alerta para a necessidade dos governos criarem políticas públicas, por meio de legislação e mecanismos financeiros, que incentivem o uso de tecnologias limpas. E recomenda o fomento de pesquisas específicas, capacitação de instituições, divulgação ampla de informações sobre sustentabilidade e promoção da qualificação da mão-de-obra, com o envolvimento de órgãos públicos, sindicatos e instituições privadas. "Somente assim a sociedade poderá se preparar para aproveitar as oportunidades de geração de emprego e também antecipar situações de perda de postos de trabalho", diz.. Na Holanda, por exemplo, um dos países mais adiantados em construções sustentáveis, existem mecanismos de incentivo para edificações que promovam a eficiência energética e o uso de materiais recicláveis, reaproveitamento de resíduos e retrofit de edificações, além de financiamentos para sistemas de economia de energia.
Fonte: Envolverde/Maxpress
Será que as tecnologias sustentáveis criarão ou eliminarão empregos? Se um dos dois cenários ocorrer, como o setor da construção civil, no Brasil e no mundo, deve se preparar para enfrentar a questão? Como qualificar os trabalhadores para lidar com as novas tecnologias sustentáveis? Estas são as indagações básicas da OIT, que pretende desenvolver uma metodologia que torne possível estudar estes diversos cenários, de forma a antecipar os impactos negativos e maximizar os positivos.
O objetivo da OIT é criar uma modelagem para análise desse cenário complexo e posteriormente assessorar governos, instituições e setor privado, sobre as medidas necessárias para enfrentar desafios e oportunidades de conciliar emprego e conservação ambiental. O primeiro estudo está sendo feito na África do Sul. "Temos a intenção de realizar pesquisa semelhante no Brasil. Neste momento, estamos na fase de debates, colhendo informações em diversos lugares, para depois analisar o comportamento das tecnologias de baixo impacto ambiental em relação aos empregos", explica Werna.
Em geral, as perspectivas de criação de novos empregos e novas qualificações são positivas, tanto nos países desenvolvidos, já quase totalmente "construídos", como nos países em desenvolvimento. Os primeiros deverão gerar vagas no mercado de reformas e retrofit (adequação de edificações antigas a novos usos e tecnologias). Hoje, o uso de energia em edificações (para iluminar, aquecer ou resfriar ambientes e água) é responsável por 33% das emissões de CO2 no mundo. Esse levantamento, feito pela Universidade Oxford Brookes, da Inglaterra, estima ainda que, de hoje até o ano de 2020, o volume de novas construções no mundo será de 20% em relação ao que já está construído. Ou seja, as construções já existentes representarão 80% do total até 2020. Os países em desenvolvimento concentrarão a maior parte dessas novas construções e têm na mão o poder de evitar novas emissões, se adotarem técnicas de construção sustentável.
E como cerca de 80% das edificações já estarão construídas, grande parte necessitará de reformas, adaptações e manutenção, o que gerará novos postos de trabalho. "Esse segmento terá, portanto, um peso grande na prevenção das mudanças climáticas e na geração de empregos", analisa Werna. Além disso, a União Européia aprovou uma lei que determina que todos os prédios públicos, industriais e comerciais revejam seus sistemas de consumo de energia nos próximos dez anos, o que abre grandes perspectivas de investimentos no setor da construção.
Ao mesmo tempo, deverá haver um esforço de qualificação dos trabalhadores em relação às novas tecnologias ambientalmente corretas. Werna explica que mesmo na Europa há escassez de mão-de-obra capacitada para instalar e fazer manutenção de sistemas de aquecimento solar, por exemplo. Mas informa que se houver 20% de economia no consumo de energia na União Européia, poderão ser criados cerca de um milhão de postos até 2020, com 100 mil trabalhadores diretamente empregados nas indústrias de painéis fotovoltaicos.
Impacto no Brasil
No Brasil, existe grande potencial de redução de emissões de CO2 e de geração de empregos. No entanto, Werna alerta para a necessidade dos governos criarem políticas públicas, por meio de legislação e mecanismos financeiros, que incentivem o uso de tecnologias limpas. E recomenda o fomento de pesquisas específicas, capacitação de instituições, divulgação ampla de informações sobre sustentabilidade e promoção da qualificação da mão-de-obra, com o envolvimento de órgãos públicos, sindicatos e instituições privadas. "Somente assim a sociedade poderá se preparar para aproveitar as oportunidades de geração de emprego e também antecipar situações de perda de postos de trabalho", diz.. Na Holanda, por exemplo, um dos países mais adiantados em construções sustentáveis, existem mecanismos de incentivo para edificações que promovam a eficiência energética e o uso de materiais recicláveis, reaproveitamento de resíduos e retrofit de edificações, além de financiamentos para sistemas de economia de energia.
Fonte: Envolverde/Maxpress

