Pagar conta com cartão de crédito terá IOF
Tributação, que vale para luz, água e telefone, além de impostos e
condomínios, é de ao menos 0,38% por operação. Para pagamentos que são
considerados compra parcelada, como seguros, não haverá essa cobrança.
Pagar
contas e boletos bancários no cartão de crédito deve ter tributação com
IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). O imposto é de 0,0082% ao
dia de uso do crédito, limitado a 3% ao ano, mais 0,38% por operação.
De
acordo com a Receita Federal, havia dúvida por parte dos bancos em
relação à norma e reclamações de consumidores. Algumas instituições
financeiras faziam a retenção do imposto. Outras, não. Norma publicada
ontem no "Diário Oficial da União" deixou claro que a cobrança do IOF é
obrigatória.
Quem vai a um caixa eletrônico com um boleto bancário e
escolhe a opção de pagamento no cartão de crédito deve ser tributado.
Essa regra vale, segundo a Receita, para contas de consumo, como luz,
água e telefone, além de impostos, condomínios e mensalidades escolares,
entre outros boletos.
Esse tipo de serviço também é tarifado pelos bancos que oferecem essa opção.
No
caso de assinaturas de impressos e seguros, geralmente, a operação
funciona como uma compra parcelada. Nesse caso, não há cobrança de IOF
nem tarifa.
Caberá aos bancos que não estavam cobrando definir como será feita a tributação retroativa desses valores.
Procurada, a Abecs (associação das empresas de cartão) não se manifestou.
Entre
os quatro maiores bancos, Bradesco e Itaú Unibanco não responderam. O
Banco do Brasil afirmou que vai analisar a medida. A Caixa Econômica
Federal não oferece o serviço.
O IOF vem sendo usado desde o ano passado para tentar frear o aumento do crédito ao consumo e a entrada de dólares no país.
Também
entraram em vigor neste ano medidas específicas para reduzir o
endividamento no cartão de crédito. Essa modalidade tem as maiores taxa
de juros e de inadimplência do setor.
Em março, o governo aumentou o
imposto sobre empréstimos ao consumidor, medida complementar à alta de
juros do Banco Central e a outras restrições ao crédito.
No mês
seguinte, houve também aumento do IOF, de 2,38% para 6,38%, nas compras
com cartão feitas no exterior. Em junho, entrou em vigor a regra do
pagamento mínimo de 15% da fatura do cartão. Em dezembro, esse
percentual sobe para 20%.
O esclarecimento da Receita foi publicado no "Diário Oficial da União", em "ato declaratório interpretativo".
CÂMBIO
-- A instituição também publicou esclarecimento sobre a tributação de
empréstimos obtidos fora do país por empresas que atuam no Brasil.
De
acordo com a Receita Federal, empréstimos intercompanhias também estão
sujeitos ao IOF de 6% quando o prazo do financiamento for inferior a 720
dias.
O ato esclarece ainda a fórmula para fazer o cálculo do imposto, que não leva em conta os juros.
Esses
empréstimos são feitos por filiais de empresas brasileiras fora do país
para suas matrizes. Ou ainda por multinacionais estrangeiras para suas
filiais no Brasil.
Para efeitos estatísticos, o BC considera
empréstimos intercompanhias como investimento estrangeiro ou brasileiro
direto no cálculo do balanço de pagamentos.
Fonte: Folha de S.Paulo

