Menu
redes sociais 2023

Pascoal Carneiro: “Os trabalhadores precisam se unir para não perderem direitos”

O mundo está passando por uma grave crise, que nasceu no centro do capitalismo: os Estados Unidos da América (EUA).  A crise veio questionar a tese do neoliberalismo, que imperou durante os anos 90.  Em entrevista, o secretário geral da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Pascoal Carneiro (foto), falou sobre a crise, a fusão do Itaú e do Unibanco e a união dos trabalhadores.


Piquete Bancário - Como a crise financeira pode atingir os trabalhadores brasileiros?
Pascoal Carneiro - A atual crise financeira pode atingir aos trabalhadores brasileiros, assim como aos demais da América Latina. A lógica do capital é: quando se está em crescimento econômico, e obtém alta lucratividade, os lucros não são repartidos com os trabalhadores; porém, em momentos de crise, como está que surgiu no centro do capitalismo mundial  os EUA, a primeira medida é repassar os prejuízos aos empregados. Aqui no Brasil, por exemplo, a crise trouxe como resultado  a fusão de dois bancos , o Itaú e o Unibanco, mostrando que o capital se uniu para diminuir postos de trabalho.  O que quero dizer é que o capital sempre busca saída para compensar seus prejuízos em cima dos trabalhadores, não  diminuindo a sua margem de lucro. Portanto, os trabalhadores precisam se unir e lutar para não perderem direitos e nem conquistas.

- Qual o debate que precisa ser feito em torno deste tema?
- Acredito que minar com a crise neste momento passa pela unidade dos trabalhadores, tanto nas bases quanto em nível de centrais sindicais. Os sindicatos têm que deixar de olhar para o seu umbigo e passar a enxergar a sociedade como um todo; eles precisam entender a necessidade de unificar, também, a luta dos trabalhadores na América Latina e romper com essa divisão entre as centrais. União é sinônimo de força e, nesse momento, esse é o elemento crucial para pleitear uma reunião com o presidente Lula e os ministros da área econômica a fim de discutir a "ajuda" do governo aos setores financeiro, construção civil, montadoras... E a parte que cabe aos trabalhadores? Porque não fazer, neste momento, a redução da jornada de trabalho sem redução de salário? Porque não dividir com os trabalhadores todas as ofertas que o governo tem feito para o capital? Porque os trabalhadores só podem dividir a crise? É por entender que a unidade é a mola mestra para a luta que as centrais estão realizando no próximo dia 3 de dezembro a V Marcha a Brasília.

- Como deve ser a atuação do governo brasileiro na tentativa de minar os efeitos da crise?
- Somos contrários ao governo injetar dinheiro em setores, seja financeiro ou industrial, sem fazer um debate mais profundo sobre o papel do Estado. Nos anos 80 e início dos anos 90 o Estado foi destruído para emergir o neoliberalismo com a idéia do Estado mínimo. A crise veio superar esta tese neoliberal, mostrando que ela não deu certo no mundo. Com isso, faz-se necessário repensar o papel do Estado na economia e não apenas dar dinheiro na mão dos empresários. Acho que ao invés de dar o dinheiro, o governo deveria comprar as ações dessas empresas com direito a voto e discutir a participação dos trabalhadores em cada setor. Entendemos que o papel do Estado é fundamental não só como indutor do crescimento econômico, mas como alavancador deste crescimento em qualquer situação de crise.

- O Senhor falou sobre a fusão entre o Itaú e o Unibanco. Em entrevista eles disseram que esta foi uma operação histórica para os mercados brasileiros. O que acha disso?
-É um momento histórico para o capital e não par aos trabalhadores. O Itaú e o Unibanco estão juntando uma carteira de crédito de vários bilhões de reais, que abarca milhões de clientes. Com a fusão, criou-se o maior banco da América Latina. Porém, vejo como uma saída para o capital. E como ficam os bancários? Quantos postos de trabalhos serão perdidos? É necessário que a direção dos dois bancos faça imediatamente uma reunião com os sindicatos, federações da categoria para se discutir a manutenção dos postos de trabalho e do acordo coletivo que foi assinado semana passada.

- Qual será a palavra de ordem na V Marcha a Brasília?
-As principais bandeiras são: crescimento econômico com valorização do trabalho; redução da jornada do trabalho sem redução de salário e fim do fator previdenciário.


Piquete Bancário

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar