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Pesquisa BBC: capitalismo é rejeitado no mundo

Uma pesquisa encomendada pela BBC, emissora de rádio e televisão britânica, realizada em 27 países revela uma enorme insatisfação com o capitalismo 20 anos após a queda do Muro de Berlim, quando os apologistas do sistema chegaram a anunciar o "fim da história" e a vitória definitiva do neoliberalismo. Foram promovidas 29 mil entrevistas. Apenas 11% acreditam que o modo de produção capitalista funciona bem.

No Brasil, um resultado que surpreendeu muitos: 64% querem maior controle do governo sobre a economia. O país é o quinto com maior apoio à ideia de que o Estado deve controlar diretamente as principais indústrias.

Impressionante

Não apenas isso: 87% dos entrevistados defenderam que o governo tenha um maior papel regulando os negócios no país, enquanto 89% defenderam que o Estado seja mais ativo promovendo a distribuição de riquezas.

A insatisfação dos brasileiros com o capitalismo de livre mercado chamou a atenção dos pesquisadores, que qualificaram de "impressionante" os resultados do país.

Clamor

"Não é que as pessoas digam, sem pensar, ‘sim, queremos que o governo regulamente mais a atividade das empresas'. No Brasil existe um clamor particular em relação a isso", disse Steven Kull, o diretor do Programa sobre Atitudes em Políticas Internacionais (Pipa, na sigla em inglês), com sede em Washington.

O percentual de brasileiros que disseram que o capitalismo "tem muitos problemas e precisamos de um novo sistema econômico" (35%) foi maior que a média mundial (23%).

Enquanto isso, apenas 8% dos brasileiros opinaram que o sistema "funciona bem e mais regulação o tornaria menos eficiente", contra 11% na média mundial.

Procurando alternativas

Para outros 43% dos entrevistados brasileiros, o livre mercado "tem alguns problemas, que podem ser resolvidos através de mais regulação ou controle". A média mundial foi de 51%.

"É uma expressão de grande insatisfação com o sistema e uma falta de confiança de que possa ser corrigido", disse Kull.

"Ao mesmo tempo, não devemos entender que 35% dos brasileiros querem algum tipo de socialismo, esta pergunta não foi incluída. Mas os brasileiros estão tão insatisfeitos com o capitalismo que estão interessados em procurar alternativas."

A pesquisa ouviu 835 entrevistados entre os dias 2 e 4 de julho, nas ruas de Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Goiânia, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo.

Mais à esquerda

O levantamento é divulgado em um momento em que o país discute a questão da presença estatal na economia. Definir para que caixa vai a receita levantada com a exploração de recursos naturais importantes, como o petróleo da camada pré-sal, divide opiniões entre os que defendem mais e menos presença do governo no setor econômico.

Steven Kull avaliou que esta discussão não é apenas brasileira, mas latino-americana. Para ele, o continente está "mais à esquerda" em relação a outras regiões do mundo.

A pesquisa reflete o "giro para a esquerda" que o continente experimentou no fim da década de 1990, quando o modelo de abertura de mercado que se seguiu à queda do muro de Berlim e à dissolução da antiga União Soviética dava sinais de esgotamento.

O estado de espírito da população já teve notáveis repercussões políticas e eleitorais. Começando com a eleição de líderes como Hugo Chávez, na Venezuela, em 1998, o continente viu outros presidentes de esquerda chegarem à presidência de suas repúblicas, como o próprio Luiz Inácio Lula da Silva, Evo Morales (Bolívia), Rafael Correa (Equador), Daniel Ortega (Nicarágua), Fernando Lugo (Paraguai), Manoel Zelaya (Honduras), Maurício Furnes (El Salvador) e Tabaré Vasquez (Uruguai). Parece o alvorecer de um novo tempo.

Portal CTB, com BBC Brasil

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