Petroleiros fazem 2º dia de greve; produção é normalizada

Mobilização em frente ao sindicato nesta segunda
"A última plataforma parada, P-27, retomou a produção na noite de ontem", afirma a empresa em nota. Na segunda-feira, a Petrobras informou que a produção chegou a ser afetada em 7% com a greve dos petroleiros, o que corresponde a redução de 136 mil barris/dia. Pela manhã, a empresa chegou a estimar queda de 16%.
Segundo a estatal, das 38 unidades instaladas na bacia de Campos, duas chegaram a ficar com a produção interrompida.
Ontem, o Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense) orientou seus trabalhadores a dar espaço às equipes de contingência e solicitar desembarque imediato. Apesar disso, o sindicato alegou que a Petrobras estaria impedindo que alguns funcionários deixem o local.
Sobre isso, a Justiça do Trabalho de Macaé negou o habeas corpus impetrado pelo Sindipetro, que pretendia configurar um suposto cárcere privado nas plataformas. Em nota, a Petrobras afirmou que "vem realizando regularmente os procedimentos de embarque e desembarque da sua força de trabalho, mantendo as condições de segurança operacional".
O diretor do Sindipetro-NF, Marcos Breda, informou, no entanto, que o quadro se mantém e que a entidade pretende denunciar a Petrobras à Justiça por cárcere privado.
"A Petrobras não está garantido o que ela própria prometeu à Justiça, que é garantir a segurança e as operações com quadro de contingência. Temos a informação que na plataforma P-35 existem várias pessoas querendo desembarcar e não está conseguindo. Tentamos o habeas corpus, que nos foi negado. Agora, vamos partir para a denúncia de cárcere privado", disse Breda.
Segundo ele, a estatal está mantendo os profissionais a bordo das plataformas porque não consegue garantir as operações sem eles. "A Petrobras assumiu a tarefa de garantir condições de operação e segurança, mas a equipe de contingência não tem número suficiente ou não tem proficiência suficiente e depende dos grevistas a bordo", reclamou.
Os grevistas querem que a Petrobras passe a considerar o dia de retorno das plataformas como uma das datas de trabalho. A escala dos petroleiros prevê 14 dias embarcado na unidade de produção, e outros 21 em casa.
Refinarias
A FUP (Federação Única dos Petroleiros) decide nesta terça-feira se os trabalhadores das unidades de refino da empresa também deixarão de trabalhar.
"Na hipótese de ter alguma paralisação, temos um plano de contingência para as refinarias. Mas não acredito que isso vá acontecer, haverá entendimento de ambas as partes", disse ontem o diretor de abastecimento e refino, Paulo Roberto Costa.
O Sindipetro-NF também foi informado que a Petrobras, em atitude de desespero diante da organização dos trabalhadores, cortou o acesso a internet a bordo das plataformas. A internet estava sendo usada pelo sindicato como meio de contato com as plataformas através do site http://www.sindipetronf.org.br/ e da webradio mms://wms1.netpoint.com.br/sindipetronf.
"A Petrobras não vai calar a voz do sindicato que usará outros meios para esse contato e considera a atitude da empresa como antisindical , pois atenta contra a organização dos trabalhadores", diz a página da FUP.
Reivindicações
Desde à zero hora desta segunda-feira (14), os petroleiros de 33 plataformas e navios de perfuração da Bacia de Campos atenderam ao indicativo do Sindipetro-NF e aderiram à greve de cinco dias por uma proposta de Dia de Desembarque que contemple as reivindicações da categoria.
A Petrobras ingressou na justiça com interdito proibitório e obteve liminar autorizando o embarque de equipes de contingências, colocando em risco a segurança operacional das unidades e expondo os trabalhadores a acidentes.
O Sindipetro orientou os petroleiros a entregarem a planta parada às gerências e solicitarem o desembarque imediato. A greve, que inicialmente foi convocada e planejada para seguir até sexta-feira (18), com o controle da produção nas mãos dos trabalhadores, será mantida, mas com corte de rendição e desembarque dos petroleiros das plataformas que aderiram ao movimento.
Nesta segunda não houve embarque dos trabalhadores que seguiriam para a P-19, P-26 e P-37. O Sindipetro-NF entrou com pedido de habeas corpus para os petroleiros que foram mantidos pela Petrobras nas plataformas contra a sua vontade, o que configura cárcere privado.
Os trabalhadores que desembarcaram participaram de assembléia na sede do sindicato, em Macaé, e rejeitaram a proposta apresentada pela Petrobras no último dia 10, mantendo a greve até sexta-feira (18), como já havia sido aprovado pela categoria.
O dia do desembarque é um pleito antigo dos trabalhadores da Bacia de Campos. A Petrobras comprometeu-se a discutir a questão em 2005 no âmbito da Comissão de Regimes, mas não o fez. Em dezembro de 2007, durante o fechamento das negociações do ACT, a empresa assegurou que a solução seria encontrada em 60 dias e até agora não cumpriu seus compromissos.
Os trabalhadores da Bacia de Campos realizam, desde o dia 5 de maio, mobilizações pela solução desta pendência, com paralisações de emissões de PTs e outras formas de luta. O Sindipetro-NF deu prazo até o dia 4 de julho para que a Petrobras apresentasse nova proposta que atendesse as reivindicações da categoria. A empresa, no entanto, apresentou a proposta no dia 10, às vésperas da greve, e não contemplou os trabalhadores, retrocedendo em vários pontos que já haviam avançado na negociação.
Da redação, com agências

