Produção industrial tem leve recuperação e sobe 0,7%
RIO - A produção industrial do País mostrou leve recuperação em março ante fevereiro e subiu 0,7% na série com ajuste sazonal, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 5 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar disso, o indicador registrou queda forte na comparação com o mesmo mês do ano passado, com redução de 10%.
O coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales, observou que há um processo "inequívoco" de reação da indústria, confirmado nos indicadores de março. Segundo ele, a magnitude da queda da produção em março ante igual mês do ano passado (-10,0%) foi bem inferior às quedas, nessa comparação, observadas em fevereiro (-16,8%), janeiro (-17,5%) e dezembro (-14,7%).
Ainda segundo Sales, o resultado de março foi favorecido pelo efeito calendário - já que março de 2009 teve dois dias úteis a mais do que igual mês do ano passado -, mas não exclusivamente. "Outros indicadores, inclusive o resultado com ajuste sazonal (ante mês anterior), mostram que é inequívoco um movimento de reação na indústria, suave mas contínuo", afirmou.
No primeiro trimestre de 2009, a produção da indústria acumula queda de 14,7% ante o primeiro trimestre do ano passado - a maior queda trimestral desde o primeiro trimestre de 1991. Na comparação com o quarto trimestre de 2008, o recuo foi de 7,9%. Em 12 meses, a variação acumulada é de -1,9%.
Segundo o coordenador de indústria do IBGE, no acumulado do quarto trimestre do ano passado e do primeiro trimestre de 2009, a indústria acumulou queda de 16,7%, a mais elevada perda no acumulado de dois trimestres desde o Governo Collor, no segundo trimestre de 1990. O número mostra que a produção no País está 16,7% abaixo do nível em que estava antes do agravamento da crise, que ocorreu em setembro.
Segmentos
Os segmentos industriais impulsionados pelo mercado interno, sobretudo veículos automotores (automóveis, autopeças, caminhões), estão liderando o processo de reação da indústria, segundo observou o coordenador de indústria do IBGE. "Os bens duráveis, liderados pelos automóveis, estão reagindo ao movimento de queda abrupta do final do ano passado, mas ainda longe de chegar aos patamares mais elevados de 2008", disse.
A produção de veículos automotores aumentou 56,5% em março em relação a dezembro de 2008, mês no qual foi determinada a redução do IPI para automóveis, prorrogada a partir de abril por mais três meses.
Em março, ante fevereiro, os veículos automotores registraram alta na produção de 7,0%, mas mantiveram a trajetória de queda ante igual mês do ano passado (-18,5%, mas exclusivamente os automóveis tiveram queda mais branda, de 3,2%).
"Os segmentos que estão reagindo mais estão mais vinculados ao mercado interno, com automóveis, que foram desonerados e a indústria de alimentos, que se beneficia do aumento da massa de rendimentos e a inflação controlada", disse. Segundo ele, "a indústria vem reagindo mês a mês desde o início do ano, mas o movimento tem sido ainda muito moderado".
Ainda de acordo com Sales, a recuperação dos automotores é importante porque "gera encadeamento com outros setores, se essa recuperação dos duráveis se consolidar, em algum momento vai bater nos intermediários".
Investimentos
A produção de bens de capital, que sinaliza os investimentos, caiu 6,3% em março ante fevereiro e recuou 23,0% ante março de 2008. A categoria de bens de capital foi a única a apresentar queda na produção ante mês anterior. Nessa comparação, houve expansão em bens intermediários (0,3%), bens de consumo duráveis (1,7%) e bens de consumo semi e não duráveis (0,8%).
Segundo Sales, a indústria de bens de capital foi a última categoria industrial a entrar na crise, mas também será a ultima a sair. Ele explicou que, no início das turbulências, encomendas efetuadas anteriormente evitaram uma derrocada imediata dos bens de capital mas, com o aumento da desconfiança e a deterioração do cenário econômico, os investimentos foram adiados.
"As decisões sobre aquisições de máquinas e equipamentos precisam de um cenário positivo, mais claro, possivelmente os investimentos vão sendo adiados até que o cenário fique mais claro para tomada de decisões", disse.
Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a produção industrial de bens de consumo semi e não duráveis foi a única, entre as quatro categorias pesquisadas pelo IBGE, a registrar expansão em março (2,9%) ante março do ano passado. Nas demais categorias, os resultados em março ante março 2008 foram os seguintes: bens de capital (-23,0%), bens intermediários (-13,3%) e bens de consumo duráveis (-13,4%).
Estado Online

