Proposta de reajuste de 2,5% revolta funcionalismo público baiano

A
proposta atinge 260 mil servidores ativos e inativos do Estado e
desagradou os trabalhadores, pois deixa o reajuste linear abaixo da
inflação, que no ano passado ficou em 5,8%, de acordo com índice de
Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esse percentual também deixa parte do
funcionalismo recebendo menos que um salário mínimo, reajustado em 9%
este ano.
Críticas
A diretora da
Federação dos Trabalhadores Públicos do Estado da Bahia (Fetrab),
Marinalva Nunes, não escondeu a insatisfação com o reajuste. "O
governador retroage. Na medida em que manda mensagem com uma reposição
abaixo da inflação, ele acumula perdas salariais. Essa proposta desanda
tudo", diz a dirigente sindical. As categorias esperam uma resposta do
líder governista, deputado José Neto (PT).
Segundo ela, o
argumento de falta de dinheiro "não convence", já que "o governo se
gaba de superar suas metas de arrecadação em ICMS". Ainda segundo a
sindicalista, o governo estadual corta do reajuste do funcionalismo para
compensar perdas oriundas da queda do FPE e segurar dinheiro para
investir no segundo semestre.
Para o presidente da CTB-BA, a
medida às vésperas das comemorações do 1º de Maio é “um banho de água
fria”, no funcionalismo estadual. “Se levarmos em consideração a
expectativa de arrecadão de aproximadamente R$15 bilhões e que isso se
deve em parte ao esforço do conjunto do funcionalismo, a proposta
contraria a lógica”, contestou o presidente da CTB-BA, Adilson Araújo.
Na
próxima semana, o governo deve enviar outro projeto de lei que vai
equiparar o piso salarial do Estado ao salário mínimo. Com isso, será
solucionada a situação dos servidores que estão com salários abaixo do
mínimo desde janeiro.
Líder da maioria na Assembleia, o deputado
estadual José Neto (PT) afirmou que o índice abaixo da inflação é
resultado da difícil conjuntura econômica, que estaria atingindo todos
os estados e municípios. "Pela nossa vontade, daríamos a inflação. Mas
temos a responsabilidade de manter as contas do Estado equilibradas".
Caso seja acordado a votação em urgência urgentíssima, a tramitação do projeto de lei é muito mais rápida do que se corresse de forma convencional pois há a prerrogativa da chamada dispensa de formalidades. Ou seja, o projeto passa pelas comissões técnicas no próprio plenário da Casa, o que é considerado pelos sindicalistas uma forma de evitar os protestos dos trabalhadores.
Fonte: CTB-BA com A Tarde

