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Qualificação sobe e salário diminui nas contratações

Foram criadas 332,4 mil novas vagas com remuneração de até 1,5 salário mínimo nos primeiros quatro meses do ano


Depois de disputar mão de obra no período de aquecimento da economia, as empresas agora contratam trabalhadores mais qualificados por salários menores. Nos primeiros quatro meses do ano, foram abertas 48,4 mil vagas no mercado de trabalho, segundo dados líquidos do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O quadrimestre terminou com 332,4 mil novas vagas com remuneração de até 1,5 salário mínimo, ao mesmo tempo em que foram fechados 283,1 mil postos formais com remuneração superior a esse valor. Nos quatro primeiros meses de 2008, quando o mercado de trabalho encontrava-se aquecido, foram criadas 848,9 mil vagas nas duas faixas: 671,4 mil até 1,5 salário e 177,5 mil acima dessa remuneração.

Além da redução dos salários embutida nas novas contratações, as empresas estão trocando antigos funcionários por trabalhadores com maior escolaridade. O saldo de 48,4 mil vagas no primeiro quadrimestre também reflete a diferença entre a demissão de 16,7 mil analfabetos e 74,9 mil trabalhadores com ensino fundamental completo ou incompleto e a contratação líquida de 37,1 mil profissionais com ensino médio e 102,5 mil com ensino superior, em ambos os casos completo ou incompleto. Mesmo entre trabalhadores com experiência profissional, recolocar-se foi mais fácil para quem tinha maior qualificação acadêmica. De janeiro a abril, 89,2% dos profissionais com ensino superior conseguiram se reempregar, contra 70% dos desempregados com ensino médio.

"Essa é a lógica da alta rotatividade no Brasil. Nos momentos em que o nível de desemprego aumenta, as empresas conseguem encontrar mais pessoas desempregadas com qualificação dispostas a trabalhar por um salário menor", observa o economista e pesquisador do Centro de Estudos de Economia Sindical e do Trabalho (Cesit) da Unicamp, Anselmo Luís dos Santos.

O pesquisador da Unicamp observa que a recontratação de pessoal é mais intensa nos setores de serviços e no comércio, sobretudo nas pequenas empresas, que pagam salários mais baixos. Na indústria, diz Santos, o ritmo de retomada das contratações está mais relacionado à dependência das exportações.

Valor Econômico
 

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