Quase 75% das categorias conquistaram aumento real
São Paulo - Levantamento efetuado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostra que, de 309 acordos salariais fechados pelos trabalhadores de todo o país no primeiro semestre do ano, 73,5% tiveram aumento real de salário e 12,3% foram reajustados pelo INPC, totalizando 85,8% categorias profissionais com aumentos iguais ou maiores que a inflação.
E a tendência continua no segundo semestre. Os metalúrgicos do ABC, sindicato da CUT que tem data-base em 1º de setembro, como os bancários, fechou acordo no último dia 6 com reajuste salarial de 11,01% e abono de R$ 1.450, além de aumento de 12,6% no piso. "A exemplo do setor automobilístico, os bancos estão crescendo, lucrando muito (veja quadro abaixo), e a mobilização desses trabalhadores, que estavam prontos para entrar em greve, arrancou o reajuste", afirma o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, que completa. "Os bancários têm que estar preparados. Vamos negociar até a exaustão para alcançar o aumento real devido aos trabalhadores. Mas se os banqueiros vierem com a tradicional choradeira vamos ter que mostrar nosso poder de mobilização." Marcolino lembra que em todo o Brasil são 434 mil bancários contra 159 bancos. "Se os trabalhadores quiserem, paramos o sistema financeiro. Queremos manter nossa trajetória de aumento real de salário e é bom os banqueiros não tentarem atrapalhar."
Crescimento geral - Os oito maiores bancos brasileiros - todos com representação na mesa de negociação da Fenaban - acumulam resultados fantásticos. O crescimento menor do lucro no primeiro semestre deste ano está relacionado mais a manobras contábeis no balanço financeiro do que com qualquer queda nos resultados. Seja qual for o índice escolhido, o resultado dos bancos cresceu (comparação entre o primeiro semestre de 2007 e de 2008 do resultado total das instituições Caixa Federal, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú, Unibanco, Real, Santander e HSBC).
A rentabilidade anualizada desses oito bancos, em 2008, atingiu 27,7%, duas vezes a taxa básica de juros da economia, atualmente em 13%. Com essa rentabilidade, a cada quatro anos é como se os bancos dobrassem de tamanho.
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Números - em R$ |
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| Lucros | |
| 2007 | 16,4 bilhões |
| 2008 | 18,9 bilhões |
| Variação | 15,25% |
| Patrimônio líquido | |
| 2007 | 121,8 bilhões |
| 2008 | 145, bilhões |
| Variação | 19,09% |
| Operações de tesouraria | |
| 2007 | 675,9 bilhões |
| 2008 | 815,4 bilhões |
| Variação | 20,63% |
| Operações de crédito | |
| 2007 | 492,7 bilhões |
| 2008 | 660 bilhões |
| Variação | 33,97% |
| Ativo total | |
| 2007 | 1,7 trilhão |
| 2008 | 1,9 trilhão |
| Variação | 23,46% |
| Receita de prestação de serviços | |
| 2007 | 23,5 bilhões |
| 2008 | 24,7 bilhões |
| Variação | 5,02% |

