Recuperação de créditos ruins ajuda a elevar lucro do Banco do Brasil
O BB, de um lado, baixou menos crédito como prejuízo do que os bancos privados. Foram R$ 3,352 bilhões, contra média de R$ 4,214 bilhões nos privados, sempre no primeiro semestre de 2009. As regras prudenciais do BC determinam que as instituições financeiras baixem como prejuízo créditos vencidos há mais de meio ano. O BB, de outro lado, recuperou R$ 1,158 bilhão em créditos inadimplentes, contra R$ 604 bilhões observados nos bancos privados.
Em parte, a recuperação no BB foi favorecida por cessão de crédito de R$ 271 milhões, ou seja, a venda de carteira para empresas especialistas em recuperar créditos inadimplentes. Esse evento, porém, não distorce as comparações, porque os bancos privados também lançam mão de estratégias semelhantes. A cessão de carteiras é procedimento padrão de cobrança, após fracassarem todas as etapas normais para recuperar os créditos. O BB diz que o bom desempenho é resultado da reestruturação feita nos últimos anos na área de cobrança, que começa a dar os seus resultados mais palpáveis nos lucros. Foram desenvolvidas, por exemplo, novas ferramentas estatísticas de cobrança. Uma delas permite identificar a melhor forma de abordar o devedor, a partir de dados de relacionamento do cliente com o banco, como seus hábitos de poupança, niveis e perfis de endividamento e uso dos diversos canais de atendimento.
O BB descobriu que há um grupo de clientes que não precisa ser cobrado - eles atrasam eventualmente, mas sempre pagam. Há grupos de clientes, de outro lado, que respondem melhor quando são cobrados pelos canais de atendimento telefônicos, por terminais eletrônicos de auto-atendimento ou por correspondência.
Foram tomadas outras medidas, como colocar a cobrança, e não apenas a concessão de crédito, entre as prioridades dos funcionários do BB. Os pagamentos de bônus dependem desse quesito. "Todos dos gerentes, quando abrem o computador pela manhã, veem uma lista com os dez maiores devedores da agência", disse o vice-presidente de crédito, controladoria e risco global do BB, Ricardo Flores.
O BB também passou a fazer o rodízio e avaliação mais rigorosa dos resultados das 127 empresas terceirizadas que prestam serviços de cobrança. Se uma empresa não recupera o valor em dois meses, o crédito vai para outra. A comissão de quem cobra é inversamente proporcional ao tempo de cobrança. Créditos de maior valor são cobrados por unidades regionais especializadas com funcionários do próprio BB.
Fonte: Valor Econômico

