Reservas dos bancos contra calotes aumentam mais do que inadimplência
Em quase todos os bancos, tanto públicos quanto privados, as provisões cresceram mais de 50%, enquanto as taxas de inadimplência crescem pouco mais que 30% --em alguns casos até registrou queda--, no mesmo período.
No Banco do Brasil o provisionamento contra inadimplência somou R$ 17,7 bilhões em junho deste ano, um aumento de 59% em relação aos R$ 11,1 bilhões registrados ao fim do primeiro semestre de 2008. No mesmo período, a taxa de inadimplência média cresceu 32%, passando de 2,5% para 3,3% em junho último.
A Caixa Econômica Federal aumentou em 45% suas provisões, que passaram de R$ 5,4 bilhões em junho de 2008 para R$ 7,9 bilhões no mesmo mês deste ano, enquanto seu índice de inadimplência caiu 13,33% em igual intervalo, passando de 4,5% para 3,9%.
O banco destacou também que o aumento em provisão contra risco de crédito foi um dos motivos para a queda de 54% no lucro no mesmo intervalo.
Segundo o economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), Rubens Sardenberg, aumentar o provisionamento acima da taxa de crescimento da inadimplência significa que os bancos estão esperando que a inadimplência vai continuar subindo nos próximos meses.
"Eles [os bancos] estão aumentando mais preventivamente, para se antecipar a um eventual movimento observado na carteira. É uma medida prudencial, visando, talvez, uma nova onda de inadimplência", avaliou o economista.
Bancos privados
O Itaú Unibanco, maior banco privado brasileiro em valor de ativos, aumentou em 96% suas provisões, de R$ 11,6 bilhões para R$ 22,9 bilhões nas comparações entre os meses de junho de 2008 e deste ano.
No mesmo intervalo, o banco registrou crescimento de 35% em sua inadimplência, o que representa avanço de 1,4 ponto percentual, de 4% para 5,4% em junho último.
As provisões do Bradesco alcançaram R$ 13,8 bilhões em junho deste ano, o que significa avanço de 60% na comparação com R$ 5,3 provisionados um ano antes, enquanto sua inadimplência subiu 35,29% no mesmo período, passando de 3,4% para 4,6%.
Já o Santander, terceiro maior banco brasileiro em valor de ativos, apresentou alta de 52% em seu nível de provisionamento, ao aumentar de R$ 5,3 bilhões em junho do ano passado para R$ 8,2 bilhões em junho último. A este aumento correspondeu alta de 30,19% na inadimplência da carteira de empréstimos, que passou de 5,3% para 6,9%.
Segundo Sardenberg, a as provisões deverão continuar a crescer nos próximos meses, mas em um ritmo menor do que o observado até agora. "Há um pedaço que já apareceu nas perdas, e provavelmente os aumentos continuarão, mas serão menores", conclui o economista.
BNDES
Apesar de não ser um banco de atuação no varejo, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) também apontou o aumento com provisão para risco de crédito como um dos principais motivos para a queda de 83% em seus lucros no primeiro semestre deste ano.
Em junho deste ano as despesas com provisão somaram R$ 1,1 bilhão, cifra quase três vezes maior do que os R$ 400 milhões destinados à provisão para risco de crédito em junho do ano passado.
*Folha Online

