Santander está de olho no Mercantil do Brasil
"O sistema financeiro brasileiro está passando por um processo de concentração, e os grandes bancos estão buscando adquirir os menores. Diante das fusões, o Mercantil acaba se encolhendo e fica com dificuldade de competir com bancos maiores", avalia Wiederkehr. Segundo ele, é difícil avançar num mercado onde os clientes buscam cada vez mais facilidades e disponibilidades de agências. "A clientela prefere as instituições que oferecem mais opções de pontos de atendimento", comenta Wiederkehr.
Hoje, o Santander - que é dono do Real desde 2007 - tem 10 milhões de correntistas e 3.587 pontos de venda, entre agências e postos de atendimento. O volume é 20 vezes maior do que o do Mercantil, que opera com 149 agências no país e 30 pontos de atendimento bancário eletrônico, para 700 mil correntistas.
O lucro líquido do Santander mais do que dobrou no primeiro trimestre deste ano, atingindo R$ 1,01 bilhão. O do Mercantil equivale apenas a 11% desse total (R$ 113,58 milhões), mas cresceu 1.908%, graças a ação judicial junto à União Federal, relativa ao recolhimento indevido de Cofins nos últimos anos.
Lucrativo. Embora as instituições não confirmem nenhuma negociação, o balanço do banco mineiro mostra que o espanhol tem bons motivos para querer comprá-lo. No primeiro trimestre deste ano, a carteira de crédito cresceu 8%, puxada por produtos de crédito pessoal e crédito consignado. No ranking do Banco Central, ele é o décimo em carteira de crédito. E a rentabilidade sobre o patrimônio líquido médio atingiu 15,3% ante 4,3% em 2009.
O presidente do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte, Clotário Cardoso, afirma que não sabe se existe fundo de verdade nos boatos do interesse do Santander no Mercantil, mas lamentaria se houvesse algum fundo de verdade nos rumores. "Ficamos apreensivos com esses boatos e espero que não haja nenhum fundo de verdade, pois a venda do Mercantil acarretaria perdas em postos de trabalho", destaca.
Fusões
Primeiro foi o espanhol Santander que anunciou a aquisição do banco Real, em 2007. Em 2008, foi a vez de o Itaú se unir ao Unibanco. Juntas, as instituições passaram o Banco do Brasil.
Avanço
No mesmo ano, no sentido de retomar o mercado, o Banco do Brasil comprou o banco estadual de São Paulo Nossa Caixa.
*O Tempo

