Sem correção na tabela, brasileiro vai pagar mais Imposto de Renda
O governo federal não deve corrigir a tabela do Imposto de Renda pelo segundo ano consecutivo, o que levará os contribuintes a pagarem ainda mais imposto na declaração de 2018. Na quarta-feira (29/3), o ministro da Fazenda, Henrique Meireles, declarou que não há decisão tomada sobre o tema e que qualquer medida que leve ao reajuste da tabela incidirá sobre as receitas do governo.
A tabela do IR determina quanto se paga de imposto em cada faixa salarial. Se a tabela fosse corrigida, menos pessoas pagariam imposto. E quem fosse obrigado a declarar pagaria menos. Sem a correção, quem ganha R$ 4.000 mensalmente paga 545% a mais de imposto todo mês, de acordo com um estudo.
O orçamento de 2017 trazia uma previsão de reajuste de 5% na tabela do IR, que teria efeito sobre a declaração de 2018. Mas, diante do rombo nas contas do governo, e da sinalização dada ontem por Meireles, especialistas acham praticamente impossível que esse aumento saia do papel.
Quando não atualiza a tabela do IR, o governo consegue aumentar sua arrecadação porque os salários tendem aumentar, acompanhando o índice da inflação, enquanto a base de cálculo do imposto permanece a mesma. No IR de 2017, o limite de isenção subiu 1,5%, para R$ 28.559,70. Se o seu salário foi corrigido ao menos pela inflação nesse período, foi possível acumular ganhos de R$ 29.895,71 em 2016.
Para o Sindifisco nacional, o governo está punindo principalmente as classes sociais mais baixas ao adotar essa postura. O estudo elaborado pelo sindicato mostra que, devidos aos sucessivos ajustes abaixo da inflação, a tabela do IR já acumula uma defasagem de 83% desde 1996 até ano passado.

