Trabalhadores dos Correios escrevem carta a Lula
Os trabalhadores das empresas de Correios e Telégrafos devem encaminhar nesta segunda-feira (14), uma Carta ao Presidente Lula na qual relatam o descaso e intransigência com que vem sendo tratada a categoria.
Nela eles expõem a atual situação dos trabalhadores e os motivos que os levaram a decretar a greve, que já dura 14 dias. A carta registra a indignação dos trabalhadores e a forma com que a empresa está encaminhando a negociação, se negando em cumprir o acordo assinado anteriormente na presença tanto de representantes do governo, quanto dos trabalhadores.
Leia abaixo a íntegra da carta
São Bernardo do Campo, 14 de julho de 2008.
Prezado Presidente Lula,
Como é de vosso conhecimento, a nossa categoria se encontra em Greve desde o dia 1° deste mês. O principal motivo é o total descaso da direção da ECT com os seus funcionários e com a população.
De forma unilateral, sem dialogar com os trabalhadores e sem esclarecer a população, a direção da ECT tenta impor um Plano de Cargos, Carreiras e Salários que na verdade é a preparação de um processo de privatização e desmonte da Empresa. A ECT, que atinge níveis de excelência e reconhecimento nacional e internacional, está sendo dilapidada pela sua atual direção, que por baixo dos panos cria mecanismos para aumentar os salários dos altos escalões muito acima da inflação, de forma indecente, o que pode ser provado através da nova tabela salarial imposta, enquanto descumpre acordos assinados com os trabalhadores, inclusive pelo próprio Ministro das Comunicações e pelo Senador da Republica, senhor Paulo Paim, e com o aval de vossa senhoria.
Para comprovar que o novo PCCS imposto pela direção da ECT significa o desmonte da Empresa, basta observar que estão sendo extintos os cargos de carteiros, atendentes comerciais, motoristas e operadores de transbordo e triagem. No lugar, cria-se um único cargo genérico de agente postal, que institucionaliza a figura do faz tudo na empresa. Isto reduzirá o quadro de funcionários e aumentará a sobrecarga de serviço, ampliando a quantidade já absurda de doenças ocupacionais dos funcionários dos Correios. Esta lógica perversa atende à um único interesse, que é aumentar os lucros da Empresa para torná-la mais atrativa à iniciativa privada, tão ávida por mais este filão de alta rentabilidade, mesmo isto custando a qualidade do serviço prestado a amplos setores da população. Lembrando o termo utilizado na época das privatizações, este novo PCCS é o sucateamento da ECT para atender interesses privados.
Tendo sido a defesa dos serviços públicos e sua melhoria para atender as necessidades da população mais humilde, um dos principais pilares de vossa campanha de reeleição para Presidente da República, pedimos que o senhor intervenha no sentido de solucionar o impasse desta Greve, para o que basta que seja garantido o cumprimento do Termo de Compromisso assinado por duas vezes, com o vosso aval, que estabeleceu o pagamento do Adicional de Risco, a negociação digna e não a imposição de um PCCS que pretende desmontar os serviços de Correios no país, como quer a direção da ECT, e a revisão do pagamento da Participação nos Lucros, que concedeu de forma indecente mais de 40 mil reais para o Presidente da ECT e para alguns de seus amigos, enquanto grande parte dos trabalhadores da área operacional receberam pouco mais de 100 reais.
Gostaríamos de lembrar suas próprias palavras, senhor Presidente: "se o que é assinado na sala da presidência da república não tem valor, então nada mais tem valor neste país".Nos preocupamos em cumprir tudo com o que nos comprometemos, e isso resulta na boa qualidade do serviço prestado à população. Agora é a vez do outro lado cumprir a sua parte, o que, se já tivesse sido feito, com certeza teria evitado esta greve.
Contando com a sua compreensão, ainda acreditamos que este país e o nosso povo têm muito valor, e que a palavra de um Presidente da República e a assinatura de um Ministro de Estado devem ser respeitados. Infelizmente, a direção da ECT não pensa assim, o que causou esta Greve, motivo pelo qual pedimos a sua intermediação para uma solução justa.
Atenciosamente,
TRABALHADORES DOS CORREIOS EM GREVE
Nela eles expõem a atual situação dos trabalhadores e os motivos que os levaram a decretar a greve, que já dura 14 dias. A carta registra a indignação dos trabalhadores e a forma com que a empresa está encaminhando a negociação, se negando em cumprir o acordo assinado anteriormente na presença tanto de representantes do governo, quanto dos trabalhadores.
Leia abaixo a íntegra da carta
São Bernardo do Campo, 14 de julho de 2008.
Prezado Presidente Lula,
Como é de vosso conhecimento, a nossa categoria se encontra em Greve desde o dia 1° deste mês. O principal motivo é o total descaso da direção da ECT com os seus funcionários e com a população.
De forma unilateral, sem dialogar com os trabalhadores e sem esclarecer a população, a direção da ECT tenta impor um Plano de Cargos, Carreiras e Salários que na verdade é a preparação de um processo de privatização e desmonte da Empresa. A ECT, que atinge níveis de excelência e reconhecimento nacional e internacional, está sendo dilapidada pela sua atual direção, que por baixo dos panos cria mecanismos para aumentar os salários dos altos escalões muito acima da inflação, de forma indecente, o que pode ser provado através da nova tabela salarial imposta, enquanto descumpre acordos assinados com os trabalhadores, inclusive pelo próprio Ministro das Comunicações e pelo Senador da Republica, senhor Paulo Paim, e com o aval de vossa senhoria.
Para comprovar que o novo PCCS imposto pela direção da ECT significa o desmonte da Empresa, basta observar que estão sendo extintos os cargos de carteiros, atendentes comerciais, motoristas e operadores de transbordo e triagem. No lugar, cria-se um único cargo genérico de agente postal, que institucionaliza a figura do faz tudo na empresa. Isto reduzirá o quadro de funcionários e aumentará a sobrecarga de serviço, ampliando a quantidade já absurda de doenças ocupacionais dos funcionários dos Correios. Esta lógica perversa atende à um único interesse, que é aumentar os lucros da Empresa para torná-la mais atrativa à iniciativa privada, tão ávida por mais este filão de alta rentabilidade, mesmo isto custando a qualidade do serviço prestado a amplos setores da população. Lembrando o termo utilizado na época das privatizações, este novo PCCS é o sucateamento da ECT para atender interesses privados.
Tendo sido a defesa dos serviços públicos e sua melhoria para atender as necessidades da população mais humilde, um dos principais pilares de vossa campanha de reeleição para Presidente da República, pedimos que o senhor intervenha no sentido de solucionar o impasse desta Greve, para o que basta que seja garantido o cumprimento do Termo de Compromisso assinado por duas vezes, com o vosso aval, que estabeleceu o pagamento do Adicional de Risco, a negociação digna e não a imposição de um PCCS que pretende desmontar os serviços de Correios no país, como quer a direção da ECT, e a revisão do pagamento da Participação nos Lucros, que concedeu de forma indecente mais de 40 mil reais para o Presidente da ECT e para alguns de seus amigos, enquanto grande parte dos trabalhadores da área operacional receberam pouco mais de 100 reais.
Gostaríamos de lembrar suas próprias palavras, senhor Presidente: "se o que é assinado na sala da presidência da república não tem valor, então nada mais tem valor neste país".Nos preocupamos em cumprir tudo com o que nos comprometemos, e isso resulta na boa qualidade do serviço prestado à população. Agora é a vez do outro lado cumprir a sua parte, o que, se já tivesse sido feito, com certeza teria evitado esta greve.
Contando com a sua compreensão, ainda acreditamos que este país e o nosso povo têm muito valor, e que a palavra de um Presidente da República e a assinatura de um Ministro de Estado devem ser respeitados. Infelizmente, a direção da ECT não pensa assim, o que causou esta Greve, motivo pelo qual pedimos a sua intermediação para uma solução justa.
Atenciosamente,
TRABALHADORES DOS CORREIOS EM GREVE

