Um homossexual é morto a cada 26h no Brasil, diz GGB
Levantamento divulgado nesta quinta-feira (10/1) pelo GGB (Grupo
Gay da Bahia) aponta que em 2012 houve no país ao menos 336 assassinatos de
gays, lésbicas e travestis --o que representa um homicídio a cada 26 horas.
O relatório, feito anualmente pela mais antiga associação de
defesa dos homossexuais no Brasil, é baseado em notícias publicadas na imprensa
e em informações de ONGs. Nem todas as mortes têm motivação necessariamente
homofóbica.
"Quando o movimento negro, os índios ou as feministas divulgam suas estatísticas, não se questiona se o motivo foi racismo ou machismo", diz Dudu Michels, analista de sistemas responsável pelo material. "Ser travesti já é um agravante de periculosidade dentro da intolerância dominante da sociedade."
Para o antropólogo Luiz Mott, coordenador do levantamento, 99% dos homicídios listados tiveram um "agravante" de natureza homofóbica.
"Seja a homofobia individual, quando o assassino tem mal resolvida sua própria sexualidade; seja a cultural, que pratica bullying contra a comunidade; seja a institucional, quando o governo não garante a segurança dos espaços frequentados pelo movimento LGBT [Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais]", afirma Mott.
Ele diz que a quantidade de casos deve ser ainda maior, porque muitos não são conhecidos. "A subnotificação destes crimes é notória. Nossos números são apenas a ponta do iceberg."
Os gays lideram as mortes, com 188 registros (56%), seguidos
de 128 de travestis (37%), 19 de lésbicas (5%) e dois de bissexuais (1%). São
Paulo teve o maior número de homicídios (45), enquanto Alagoas (18) lidera em
termos relativos.
Em 2011, o GGB registrou 226 assassinatos. O grupo ainda
identificou que duas transexuais brasileiras foram mortas na Itália no ano
passado.
Fonte: Folha de São Paulo

